Category Archives: Politica

PUVA AO RUBRO (tudo é uma questão de conveniência)

Claro que não podia deixar de comentar o acontecimento deste fim-de-semana em Povoação (Puva), ora essa!

Muitos revoltados, muitos cheios de razão, muitos cheios de raiva… o certo é que todos têm razão mas ao mesmo tempo não têm razão nenhuma. Confuso? Vou explicar!

Para quem não sabe, aprovou-se, há pouco tempo, uma lei nacional (definida e votada pelos deputados nacionais eleitos pelo POVO – veja aqui), onde consta que os estabelecimentos de diversão nocturna (bares, discotecas, pubs…) teriam que encerrar o expediente mais cedo do que o costume, tanto nos dias úteis como nos fins-de-semana.
Pois é, quando se fala de “diversão, sabura, paródia, festa…” o POVO enche-se de razão e faz o que fez. Mas quando se fala de outras coisas tão sérias como o entretenimento, como sendo a SEGURANÇA, O RESPEITO, QUEM e COMO os eleitos governam o POVO, SAÚDE, e muitos outras questão (tão importantes como o entretenimento, repito), não se vê e nem se vai ver manifestações desse calibre que aconteceu em Ribeira Grande. Sabem porquê?
Resposta simples: Tudo é uma questão de conveniência, de exibição e sobretudo de aparência. Passo a explicar:
1- Há muito tempo que este nosso Concelho perdeu o sentido de AUTORIDADE, tanto policial como governamental. Não se pune, não se educa, não se dá o exemplo, não se faz coisa nenhuma para justificar o nome “AUTORIDADE”.
2- Quem não sabe o quão impune tem sido a polícia de Povoação com certos delinquentes que constantemente perturbam a vida dos outros nesta localidade? Perguntem a qualquer coitado de PUVA que este saberá vos dar conta de quem falo. Porém, além de nunca terem sido punidos como deveriam ter sido, continuam a desacatar as ordens e a arrumar cada vez mais confusões. Sabem o que isto origina? Precedências. Isso mesmo: “faço, não sou punido, porque não fazer de novo já que apanhei o gostinho da coisa?!”
3- Uma Ordem Policial que até exibe poder apenas quando lhe convêm (sim, têm poder, mas não lhe dão uso sempre, apenas quando convêm) Não pode ter estofo suficiente para usar da palavra ORDEM. Culpados? Muitos suspeitos, poucos condenados! Lembram-se do dia em que foram exibir os equipamentos novos (fardas blindadas, capacetes, escudos, armas novas…), numa festa de jovens que terminou com uma guerra entre pouquíssimas pessoas? Ouvi dizer que as armas usadas para dispersar o povo de ontem não continham balas de borracha?! Há quem tenha até encontrado as balas e guardadas em casa. Será isso verdade?! Eu não descarto tal hipótese, conhecendo o meu riquíssimo país sem justiça tal como o conheço… “não ponho a minha mão no fogo”.

4- Um lugar com uma certa dificuldade em manter os estabelecimentos a funcionar, devido a inúmeros factores negativos que vêm tirando poder de compra dos seus habitantes (factores esses expostos pelo presidente da INE há menos de 1 semana, que deixaram ainda mais preocupados todos os intervenientes desta Ilha), não se percebe como se criam tais leis, aprovam-nas, e sem mais nem menos fazem-se cumprir, como se a minoria da assembleia fosse mais soberana que o povo que os elegeu. Paradoxal, pois não? Não, não é. Isto é fruto da conformidade de todos, sobretudo do povo. O nosso povo só tem força para discutir “paródia, sabura, futebol…”

5- Onde já se viu implementar uma lei e não criar alternativas para as inúmeras lesões que esta mesma lei cria? Mais uma que não me espanta. Foi como criar a nova estrada Porto Novo-Janela, sem preparar alternativas para os moradores das zonas afectas a antiga estrada Porto Novo- Ribeira Grande. Deu no que deu.

“Se não cortam males pelas raízes, esperem para ver o tamanho da árvore”

Eu sou de acordo que deve-se estabelecer limites horários e níveis de perturbação em zonas de caris habitacional sim, até porque quando se trata do nosso sono, somos os primeiros a jogar água quente nas cabeças dos outros. Mas quando não nos convêm… aí fica chato. Porém eu nunca serei a favor da proibição de diversão, quando não criam alternativas, ou seja, quando não se disponibilizam a preparar áreas nocturnas, tal qual existem em todos os lados do mundo, muito menos facilitam a mudança dos comerciantes que até querem contribuir. Quem hoje finge que não sabe que em zonas habitacionais de muitos países civilizados, a partir de determinadas horas não há barulho, porque as pessoas querem acordar “frescos” para mais um dia de trabalho, estas pessoas só falam assim porque as convêm. Em Lisboa, por exemplo, nas zonas onde eu vivi durante 11 anos, nunca ouvi barulho a partir da 00h ou até antes. Mas no Bairro Alto, zona de diversão nocturna, é barulho que se farte. Na avenida 24 de Julho então, nem se fala. Em muitas outras zonas, mesmíssima coisa, dependendo da tipologia das mesmas.
Sabem porque ninguém reclama? Porque têm alternativas. Aí está a diferença.

6- Há muitas vozes revoltadas com esta situação, mas há revoltas e revoltas, convenhamos. Reivindicar queimando pneus no Terreiro às 04h da madrugada? Jogando garrafas nas janelas dos vizinhos que também protestavam um direito deles de DESCANSAR? Protestar aos gritos por toda a vila, numa hora em que a maioria DORME? Quebrar pára-brisas do carro da polícia? Quebrar faróis do carro da polícia?

É, como diz o outro, “com tanta razão, foi meter-se a besta e perdeu-a toda”. Com tantos motivos para ganhar a batalha, entregou-se de mão beijada ao bandido, dando-o razão por não saber agir.

Eu sou a favor da revisão desta lei e da criação de alternativas aos jovens da vila, por isso, deixo aqui algumas sugestões de manifestações pacíficas que sempre deram mais frutos do que actos de vandalismo. Sim porque, quando tínhamos apenas com o que atacar, ao agirmos de forma errada, passamos a estar obrigados a defender de nós próprios. Muita ironia!

Sugestões de protesto:
– Abaixo-assinado – Já que quem elege os poderes políticos é o POVO e que o político é eleito para cuidar do POVO, nada mais certeiro do que juntar um grande número de assinaturas favoráveis ao que se quer protestar, mostrando ao poder político quem é soberano? Cria-se um bom texto expondo a situação e os motivos do protesto e saem-se as ruas colhendo assinaturas. Quem já fez isso em Povoação? Ninguém. Só fazem barulho quando se trata de “paródia”.
– Porque não organizar uma marcha contra tal lei, ou uma corrente humana, já que estão a alegar que é a maioria que não está de acordo? Imaginem só se a maioria for a favor desta lei??? Imaginem??? Como diz os velho ditado: “os incomodados é que se retiram”. Mas eu prefiro acreditar que a maioria é CONTRA O ENCERRAMENTO A TAIS HORÁRIOS SEM SE CRIAREM ALTERNATIVAS, mas e se não for? E se a maioria quiser que Povoação se transforme num DORMITÓRIO, como muitos têm comentado estes dias??? E se… e se….
Muitos SE’s e pouca acção. Vamos mais é protestar com a cabeça e não com o coração, caso contrário vamos perder a razão e não haverá mais solução.
– O voto. Protestem na hora do voto. Ah e tal, são todos iguais, e tal… Minha gente, voto em branco, também é uma forma de protesto. Saibam mais aqui

Sejam coerentes não apenas com aquilo que vos convêm individualmente, e parem para pensar antes de mover acções que afectam uma comunidade inteira.
Ah, já ia me esquecendo: “Os que estão presos, não deram a devida atenção àqueles que já começaram o barulho há muito tempo, porém estão no conforto das suas casas e dos seus Facebooks, mandando vir com tudo e com todos, porém, sabem onde e como agir, portanto, fiquem mais atentos e não deixem ser corrompidos com as ideias dos outros. Pensem e agem com a vossa própria cabeça, porque tal como se viu, estão a pagar um preço muito caro por terem deixado os vossos impulsos falaram mais alto do que a vossa razão.” Que aprendam a lição e venham mais fortes (mentalmente) para ajudar neste e muitos outros protestos que sempre vão ser necessários para acabar com os mandos e desmandos da minoria perversa!

Délio Leite (Déy)

Image

Image


Preocupante… Centro Cultural 7 Sóis 7 Luas


Qual o meu espanto, quando me deparo com esta afirmação, que afinal o Centro Cultural 7 Sóis 7 Luas, que iria ser construído na Povoação da Ribeira Grande, que já conta com um projecto bem interessante, vai agora ser construído na Ponta do Sol.

Porque será?
Porque mudar? Para fomentar mais ainda o bairrismo Ponta do Sol/Povoação?
Porque apresentar um projecto para uma zona e de repente, sem explicação nenhuma, deixa de ser neste lugar, para ser no outro?
O que estará na mente do nosso presidente da Câmara?
Qual a real intenção desta mudança?
Terá alguma coisa a ver com o terreno na Praça d’Itália, junto ao espaço onde recebe o festival desde 1998?
Será que vamos deixar que mais este desmando aconteça?
A Primeira Vila (hoje Cidade) a receber este festival em Cabo Verde, foi Povoação. Nada mais justo do que manter o dito Centro Cultural, no local antes anunciado, pois não?
Algo cheira mal neste história. A ver vamos onde isto vai parar.

Queremos explicações Sr. Presidente! Exigimos explicações!
Esperemos que sejam plausíveis, caso contrário apelaremos à real força do Povo para se perceber quem realmente é proprietário da RIBEIRA GRANDE.

Vejam o video, onde o director do festival, nos dá a novidade:

Centro Cultural 7 Sois 7 Luas – Ponta do Sol


Como cria um Cabo Verde de IDIOTAS! Realidade ou Coincidência?

Bom, cabe a cada um analisar o video seguinte como bem intender. Se a sua análise terá benefício próprio e se este benefício não sirva, de alguma forma, o meio que o rodeia, engana o seu se, a longo prazo terá descanso. Pelo menos uma coisa há de perder: A LIBERDADE.

Os comentários, com uma exagerada dose de ironia, se se aproximarem da realidade, são frutos da mais pura “coincidência”.

Neste video, são expostos os 10 Passos para criar um País de IDIOTAS”:

1 – Acabar com a educação de qualidade

A Educação em Cabo Verde está sempre em crescendo, não fosse o número de escola a serem construídas para servir de prova (como se o edifício fosse sinónimo de educação…pfff) . Os professores, em geral, terão mais dados do que nós sobre o “aumento da qualidade” e a “motivação” para leccionar no sistema educativo do nosso país. Pergunte-os!

2 – Dar oportunidades para poucos

Para a ilha de Santiago, por exemplo. Esquecer as outras ilhas é uma boa estratégia para super-lotar esta, de forma a cria cada vez mais problemas. Electra, Clandestinidade, insegurança… em todo o caso, é ali que se encontra a capital do país, logo…

3 – Criar uma mídia (meios de comunicação social) inútil

Cada partido político, do governo e da oposição, deve ter o seu próprio jornal/tv/rádio, de forma a “aumentar” a credibilidade de cada um, uma vez que, cada um terá a sua própria verdade, contrastando a verdade do adversário, deixando o eleitor “menos” confuso e cada vez mais fiel ao partido que lhe trás benefícios.

4 – Garantir um sistema de saúde horrível e cada vez pior

Mais e mais máquinas para os hospitais, mais hospitais e centros de saúde e cada vez menos qualidade nos serviços hospitalares, para garantir que se espere cada vez mais para ser atendido e que se controle melhor a população. Uma vez debilitado, melhor controle se tem sobre quem quer que seja.

5 – Cobrar altos impostos

Este não concordo, porque em Cabo Verde os impostos só tendem a “baixar”, o trabalhador é cada vez mais beneficiado com o reforço do INPS, portanto, tem sido tudo “JUSTO”. Logo, deve-se aumentar mais ainda os impostos, para garantir um país mais IDIOTA.

6 – Garantir a impunidade

Quanto mais crimes, menos punições possíveis e cada vez mais criminosos fora das prisões. Assim se garante uma sociedade cheia de medo de represálias (vinganças) e cada vez menos activo, de forma a garantir que o sistema não se altere e funcione a maneira da minoria.

7 – Tudo tem que NÃO funcionar

Como “SERVIR” em Cabo Verde por exemplo. Um estudo indicou que o Caboverdiano  têm complexo em servir o outro. Nada mais justo. Se sou atrevido e “hm ta podê que nha cosa”, porque servir o outro e não ele a mim, já que mais do que ele sou?

8 – Promover o desemprego

Na óptica da debilidade provocada pelo sistema de saúde horrível, o desemprego só trará os mesmo benefícios. Quem trabalha tem direitos, quem não trabalha tem que procurar “cunhas”, por isso não deve exigir nada.

9 – Jamais investir na tecnologia

Só se investe na tecnologias que estiver na moda, para não perderem o hábito. Se se investir em excelentes tecnologias que garantam um maior controlo de tudo o que seja ilícito no país, só trará prejuízo a quem queira controlar quem quer que seja.

10 – Empregar MÁGICOS (pessoas que duplicam/triplicam as rendas deles e dos seus em poucos anos) no governo

Este, não precisa exemplificar. Para os “não cegos”, estamos conversados. Para os “cegos de propósito”, o tempo vos dirá. Para os “cegos”, temos pena.

Para finalizar e ironias a parte, devemos dizer o seguinte:

QUANTO MAIS CALADOS FICAMOS, MAIS IDIOTA O NOSSO HABITAT SE TORNA.

“O pior cego é aquele que teima em não quer ver”

plurim


E se isto tudo for verdade?!

Ao ver este video, desperta-se a seguinte curiosidade:

– O MCA (Millennium Challenge Account), de que nós (os Cabo-veridanos) gabamos de ser os únicos no mundo a receber pela 2ª vez o pacote de ajuda, por uma suposta boa governação do primeiro pacote, poderá ser um motivo de preocupação. Até corremos o risco de estar errados quanto aos fins e pretextos reais do MCA, não deixando de pensar no potencial que as nossas ilhas têm, sobretudo no que toca ao posicionamento estratégico em relação aos 3 continentes banhados pelo atlântico. Já pensaram por exemplo, o quanto importante seria uma base militar americana numa das nossas ilhas, como acontece com a base dos Açores, por exemplo? Um coisa eu sei… entrarias na linha de guerra, sem dúvida nenhuma.

Nós aqui no Plurim, não somos e nem queremos ser ingénuos.

Vejam o video e tirem as vossas próprias conclusões!

Plurim

Obrigado pela sugestão Feliciano Rosário!


…Mas o que é a Política?

Muitas pessoas na nossa sociedade encaram a Política como sendo uma coisa errada, há um certo preconceito, eu diria até a encaram como um “pecado”. Por isso, resolvi debruçar sobre esse tema tão importante para um país, como também, para a sociedade civil.

Política é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. A aplicação dessa arte nos negócios internos da nação é a Política Interna ou aos negócios externos é a Política Externa. Nos países com regimes democráticos, como Cabo Verde, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.

O termo política deriva do grego antigo “Politéia” que indicava todos os procedimentos relativos à Polís ou Cidade-Estado (Atenas). Como sendo uma ciência social, trata dos assuntos que dizem respeito à forma de organização da sociedade, trata das relações dos homens na comunidade em que estão inseridas, preza para a coletividade, baseado numa postura normativa. Por isso, nas palavras de Aristóteles, “O homem é um animal político”.

Podemos indicar algumas acepções ao conceito Política:

  • No sentido comum, compreende a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores;
  • Na concepção erudita, política “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem” (Hobbes) ou “o conjunto dos meios que permitem alcançar efeitos desejados” (Russel) ou “a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo”, que é a definição dada por Maquiavel em “O Principe”.
  • Política pode ser ainda, a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: Política financeira (fiscal e monetária), política educacional, política social, política comercial, etc…
  • Na concepção moderna, é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil.

A política, como forma de atividade ou práxis humana, está intrinsecamente ligada ao poder. O poder político é o poder do homem sobre o homem, pois “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem” (Hobbes) ou “consiste num conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados” (Russel).

A Concepção Aristotélica distingue política e poder baseado no interesse de quem exerce o poder: o poder paterno se exerce pelo interesse dos filhos; o despótico, pelo interesse do senhor; o político, pelo interesse de quem governa e quem é governado. Na Concepção Jus naturalista essa distinção baseia-se na legitimação: o fundamento do poder paterno é a natureza, do poder despótico o castigo por um delito cometido, do poder civil o consenso.

A hipótese Jus Naturalista abstrata adquire profundidade histórica na teoria de Estado de Marx e de Engels, segundo o qual a sociedade é dividida em classes antagônicas e as instituições têm a função primordial de permitir à classe dominante manter seu domínio. Mas, esse objetivo só pode ser alcançado na estrutura do antagonismo de classes pelo controle eficaz do monopólio da força; é por isso que, cada Estado é, e não pode deixar de ser, uma ditadura.

Podemos distinguir três grandes tipos de poder:

  • Poder Econômico – é o que se vale da posse de certos bens, necessários ou considerados como tais, numa situação de necessidade para controlar aqueles que não os possuem. Consiste também na realização de um certo tipo de trabalho. A posse dos meios de produção é uma enorme fonte de poder econômico para aqueles que os têm em relação a aqueles que não os têm: o poder do chefe de uma empresa deriva da possibilidade que a posse dos meios de produção lhe oferece o poder de comprar a força de trabalho a troco de um salário. Portanto, quem possui abundância de bens é capaz de determinar o comportamento de quem não os têm pela promessa de concessão de vantagens.
  • Poder Ideológico – se baseia na influência que as idéias da pessoa investida de autoridade exerce sobre a conduta dos demais: deste tipo de condicionamento nasce a importância social daqueles que sabem, quer os sacerdotes das sociedades arcaicas, quer os intelectuais ou cientistas das sociedades evoluídas. É por eles, pelos valores que defendem ou pelos conhecimentos que comunicam que ocorre a socialização necessária à coesão do grupo. Portanto, o poder dos intelectuais e cientistas emerge na modernidade quando as ciências ganham um estatuto preponderante na vida política da sociedade, influenciando enormemente o comportamento das pessoas.
  • Poder político – fundamenta na posse dos instrumentos com os quais se exerce a força física; é o poder coator no sentido mais restrito da palavra. A possibilidade de recorrer à força distingue o poder político das outras formas de poder. Portanto, a característica mais notável é que, o poder político, detém a exclusividade do uso da força em relação à totalidade dos grupos sob sua influência.

A política, quando bem feita ou exercida, constitui um dos principais instrumentos para o progresso econômico e social. Por essa razão, vamos deixar de lado esse preconceito principalmente agora que somos um país de desenvolvimento médio (PDM). Precisamos de grandes idéias, precisamos de políticas certas aos problemas e desafios que a nossa sociedade enfrenta. Mas, para isso, precisamos mudar a nossa mentalidade, o nosso modo de pensar.

Aos nossos governantes (local e nacional), exijo mais transparência no exercício de vossas funções, mais compromisso com a sociedade civil, mais seriedade na execução dos projetos financiados com impostos pagos pelo cidadão ativo cabo-verdiano. E vai um conselho: quando o barato sai caro, alguém tem de pagar a conta… E a corda arrebenta sempre pelo lado mais fraco, que é o povo. E o povo detém o Poder de Voto…

Carlos Bentub (Economista)


Caros blogueiros e acampanhantes do PLURIM

Como é de conhecimento do público, a corrida presidencial esta na sua reta final, marcada que está para o dia 07/08. O cargo de presidência da república suscita em mim, algumas perguntas/dúvidas, referente à funcionalidade do mesmo, ao custo para Cabo Verde e da sua importância politica, mas, essas questões ficam para outro debate. A verdade é que deparamos com uma campanha presidencial que vai ditar o novo nome alto do estado caboverdiano, e cabe a nós, cidadãos, desempenhar a nossa parte, VOTAR.

Como já dizia o filosofo brasileiro, Mario Sergio Cortela, “todos fazemos politica, em casa, na universidade, no comercio, ou seja, em todo lugar e a toda hora”. O ato de votar tem um significado muito grande para o sistema democrático, pois ele é um dos pontos cruciais para a sustentabilidade de qualquer sistema social e politico, organizado de forma democrática.

VAMOS TODOS VOTAR DE FORMA CONSCIENTE.

Cumprimentos de Plurim

Att.

Janecas Fortes.


Perdeu ou não perdeu, ganhou ou não ganhou, marimbou ou não marimbou?

Tendo em conta o apuramento provisório dos dados da DGAPE, deixo aqui no Plurim, algumas contas que fiz, em relação a estas eleições, às que passaram e às que estão por vir.

Portanto, sabendo que a população total dos Cabo-verdianos é de aproximadamente 1.290.000 habitantes, onde 800.000 estão na diáspora e os restantes 490.000 em Cabo Verde eis os resultados que consegui apurar:

Inscritos/recenseados 2010/2011:

Nacional – inscritos 264.198, mas votaram apenas 176.653 (66%) – 87.545 pessoas inscritas não votaram em Cabo Verde.

Diáspora – inscritos 34.364, mas votaram apenas 12.585 (36%) – 21.779 pessoas inscritas na diáspora, também não votaram. Longe da metade. O Pior é que, a meta da CNE em Portugal, por exemplo, era recensear 9.000 pessoas (nove mil), num universo de 100.000 (cem mil) cabo-verdianos neste país (10% minha gente). Parece que o trabalho de casa não tem sido feito.

No total – Houve 298.562 inscritos, votando apenas 189238 (63%)

No que toca a diáspora, não me venham falar de condições financeiras, porque é das mais puras inverdades. Fui recenseador em Lisboa nesta época eleitoral e aquilo que presenciei, a respeito do nível de incompetência da comissão, é lamentável. Só para terem um pequena ideia, os recenseadores tomavam conhecimento do local do recenseamento, apenas na véspera. Imaginem então, quem ia se recensear? Daqueles que se recensearam, uma pequena minoria foi por decisão própria, a outra parte foi porque os partidos políticos (MPD e PAICV) tinham aqui pessoas, especialmente preparada e equipadas, para levar aos postos quantos militantes e simpatizantes conseguissem. Num único dia consegui recensear (eu e meu colega), 90 pessoas num único kit. Pois, a Comissão já teria sido avisada antecipadamente que um senhor conseguira organizar mais de 100 pessoas para a zona do Barreiro, só que, para a infelicidade deste, o facto de serem pessoas do partido contrário ao dele, aconteceu o “inesperado”: eram 3 kites, só funcionou 1 – o meu – das 9h00 às 16h00, por ter havido avarias que nem sequer foram avarias, pois, assim que chegou o técnico (quase 7h00 depois) os kites funcionaram lindamente por mais 2 horas.

Não houve um único cartaz publicitário, nenhuma estratégia de marketing que incentivasse as pessoas ou que, pelo menos, os indicasse os locais de recenseamento. Este e muitos mais atestados de incompetência que nem vale a pena debruçar, caso contrário teríamos que, forçosamente, mudar de assunto.

Ora, se somos 1.290.000 Cabo-verdianos no mundo, onde a população adulta ronda os 60%, cerca de 770.000 pessoas podem votar. Subtraindo pelo número de inscrito e adicionando a abstenção, temos a quantia preocupante de 480.000 cidadãos que não votaram, ou seja, 60% dos Cabo-verdianos.

No implacável julgamento de alguns “cá está mais um infeliz com mania das contas, que pelo facto de ter feito umas continhas na universidade, já lhe dá o direito de meter onde não é chamado”. Pois, discordo e digo porquê:

1 – Estes dados estão disponíveis para todos consultarem no site do INE, sem excepção;

2 – Apesar dos dados serem valores aproximados e não 100% certos, não inviabilizam o facto de sermos 8 contra 1, ou seja, 8 ilhas contra Santiago.

3 – Se, a partir do ano 2000, contabilizarmos cerca de 9.000 residentes a mais por ano, (em médio é este o valor conseguido na relação natalidade/mortalidade, com vantagem para a natalidade), em Cabo Verde, até o ano 2010 teríamos um acréscimo de 90.000 (sem ter em conta as remessas de emigrantes, o que na pior das hipóteses daria um aumento de 5.000 residentes por ano, mesmo assim não seriam suficientes para estragar as nossas contas), em relação à 10 anos atrás.

Portanto, alguma diferença conseguida com os dados da migração, natalidade e mortalidade por ilha, seriam insignificantes no que toca ao aumento da população por Concelho, visto que, Ribeira Grande não cresce a nível de população (estagnou – acrescentamos apenas 37 pessoas nestes 10 anos – não esquecer a relação natalidade/Óbito), Tarrafal de São Nicolau diminui 395 residentes em 10 anos (ter sempre em conta que nascem mais pessoas do que morrem) Ribeira Brava de São Nicolau também perdeu 655 residentes, Brava também perdeu 795 residentes. O “insólito” é que Praia (nem digo Santiago para não ferir susceptibilidades) ganhou 34.211 residentes. De onde vieram esta gente toda?

Resposta: O pior cego é aquele que não quer ver.

Portanto caríssimos, se a política de hoje é caça ao voto, num “vale-tudo” para chegar ao poder (MPD e PAICV são provas disso), é lógico que tudo se concentre na ilha de Santiago.

O que não é lógico é o facto de continuarmos a insistir nos mesmos erros e continua a achar que tudo está bem, quando não está. Continuar a deixá-los tapar o sol com a peneira e não termos em conta que até mesmo a peneira tem buracos, logo o sol há de passar por algum lado. O mesmo acontece em Ribeira Grande. Reclamamos todos os dias do abandono,quando, tempos antes das eleições, aparecem “estrada alcatroada que ajudará na economia de todos, porém mal feita, com 2 túneis sem iluminação (não fazem ideia do perigo que isto constitui, mas saberão quando acontecer o pior), sinalização deficiente apesar de exagerada, bermas quase inexistentes tendo em conta que boa parte da estrada está em grandes altitudes, valas para drenagem que são autênticos convites a acidentes, já que não são precavidas de bermas…; “Pontes, há muito reclamadas e que constituem uma necessidade dos cidadãos”, “estrada da Ribeira da Torre que, por incompetência, a chuva levou”…não esquecendo as quantas estradas e barragem previstas para Santiago, quando apenas uma (1) barragem para Santo Antão, evitaria montes de reajustes (custos elevadíssimos) na reparação das péssimas estradas que um dia enganou os nossos honestos olhos, sem contar com os outros benefícios que todos nossos estamos fartos de repetir… enfim, nem me consigo lembrar de nada significante que me fizesse afirma que estamos bem servidos de governo. Se alguém me puder ajudar neste sentido, agradecia, porque estando eu longe do país, é-me complicado saber. Mas não se esqueçam, significante ok?

Como resolver isto, na minha humilde opinião:

1 – Voto nulo, pode significar protesto, caso não houver erros que forçam a sua nulidade.

2 – Votos em Branco, podem ser considerados formas de protesto, mas, com o nível de falcatruas nas eleições, é complicado confiar que alguém não aproveite do voto na contagem e faça lá uma cruzinha (ser humano é matreiro).

3 – Resta-nos a abstenção. Condenada por muitos, solução para outros. Aqui em Portugal, os nulos e branco, revertem-se em verbas ao partido eleito e à oposição, como incentivo para convencerem os indecisos nas próximas eleições (confirme aqui!). A abstenção, nem por isso. Não seria de esperar outras coisas destes senhores, se não o incentivo ao voto, mesmo que em branco, porque demagogicamente lá vão exercendo os seus “deveres cívicos”. Qual a diferença do branco e da abstenção, se nenhum deles contam para eleger ninguém e se mesmo aqueles que abstêm, todos os dias contribuem e pagam impostos no país? Uma vez que Cabo Verde copia tudo em Portugal, há-de ser o mesmo.

4 – Em países mais esclarecidos, a elevada abstenção é uma boa razão para se repetir as eleições, com a particularidade de serem obrigados a apresentar novos candidatos.

5 – Em países com grande nível de educação (sigo sempre bons exemplos, por ser humilde o suficiente para ter a plena noção que há muitos que sabem mais do que eu), não são necessários muitos gastos orçamentais em tempo de campanha, porque o povo é esclarecido o suficiente para saber escolher sem ser manipulado.

6 – Enquanto temos pessoas “ignorantes” (no bom sentido) dum lado, espertos ou armados em espertos do outro, a sujeira na política vai sempre triunfar e quem sabe, dentro de alguns anos, passaremos a estudar o SISTEMA nas escolas, como forma de sabermos driblá-la em vez de lutarmos para o irradiar. Se continuarmos com essa atitude conformista e comodista, a longo prazo teremos a resposta que procuramos e não a resposta que um dia sonhamos.

7 – Abrem os olhos, deixem de optar por cor política e sim por interesse local. Defendam as ideologias dos partidos que apoiam, mas antes lêem as suas propostas, estudem os seus representantes, as suas ideologias e só no final, votem naquilo que acreditam ser melhor para a vossa região. Na pior das hipóteses, terão o Branco, ou o nulo, ou a “maldita” abstenção.

8 – Repito, “o pior cego é aquele que não quer ver”, pois quem realmente ganha ou perde é CABO VERDE, consequentemente os seus concelhos, incluindo RIBEIRA GRANDE.

Délio Leite

Obs. Os dados das eleições estão por actualizar porque faltam ainda 174 mesas por apurar. Ou seja, a abstenção tende a aumentar, portanto, é insignificante aqui neste contexto.