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Salário Mínimo em Cabo Verde: Problema ou Solução?


O salário mínimo em Cabo Verde foi algumas das promessas de campanha e está agora em discussão se de facto o mercado de trabalho de Cabo Verde pode suportar uma imposição como esta.

 O salário mínimo é direccionado à mão-de-obra não qualificada, especialmente aos jovens. A discussão sobre esta imposição deve ter como base dois grandes pilares: Teórico e Prático.

QUESTÃO TEÓRICA

As justificativas usadas pela maioria dos governos do mundo, na imposição de salário mínimo aos mercados, são de reduzir o poder dos empregadores estabelecendo salários demasiadamente baixos e com isso proteger os trabalhadores menos qualificados de serem explorados, fazendo uma redistribuição da renda, favorecendo este mesmos trabalhadores menos qualificados.

Porém para entendermos se, de facto, o salário mínimo protege os trabalhadores menos qualificados teremos de entender, em primeiro lugar, como funciona o mercado de trabalho. Este pode ser explicado como a intersecção das curvas de procura e oferta de trabalho. O ponto de equilibro do mercado situa-se no ponto onde as duas curvas se cruzam, significando que o mercado encontra-se numa situação de pleno emprego e salário óptimo e que a oferta de trabalho é igual à procura. 

Curva de Oferta de Trabalho

A curva de oferta de trabalho pode ser defenida como uma relação proporcional entre o trabalho e o salário, ou seja, a medida que o salário aumenta a oferta de trabalho também aumenta. Essa relação pode ser vista claramente no gráfico acima.

Curva de Procura de Trabalho

A curva de procura de trabalho varia no sentido oposto ao da curva de oferta. A medida que o salário aumenta a procura por parte dos empresários por trabalhadores cai. Essa relação pode ser vista no mesmo gráfico acima.

No gráfico do mercado de trabalho, supõe-se que o salário mínimo imposto pelo governo seja superior ao salário vigente no mercado, que foi alcançado, não por imposição dos empresários, mas, por negocição entre as partes intervenientes – trabalhador e empregador.

QUESTÃO PRÁTICA

Na práctica qual o impacto da imposição do salário mínimo para a economia de Cabo Verde?

Para analisar esse impacto vamos supor, Coeteris Paribus, que se estabelece um salário de 12.000$00 quando o vigente no mercado interno seja de 10.000$00, ou seja, um aumento de 20% do salário vigente.

Um dos marcos para se pensar economicamente é sempre ter a capacidade de analisar não só os efeitos imediatos, mas também estar sempre atento aos efeitos secundários. Frederic Bastiat, grande economista françês, alegava que o que diferencia um bom economista de um mau economista era a capacidade de prever os efeitos secundários.

Segundo o senso 2010, a população de Cabo Verde é composta maioritariamente por jovens, aproximadamente 40% da população, sendo que a taxa de desemprego se situou, em 2010, nos 10,7%. De acordo com o QIBB 2007, 26,6% da população é pobre e de acordo com a mesma pesquisa o coeficiente Gini (mede o grau de distribuição de renda) em Cabo Verde era de 0,47, num intervalo de 0-1.

Uma imposição do tipo do salário minímo, acima do salário vigente, como está demonstrado no gráfico acima, provocará um aumento do desemprego, uma vez que, a esse salário, mais pessoas estarão dispostas a trabalhar, porém mais empregadores estarão dispostos a não contratar, o que desestimulariam os empresários a contratar, logo, não haveria nenhuma distribuição de renda, portanto, os maiores prejudicados seriam a mão-de-obra não qualificada, os que teoricamente eram para ser protegidos.

O salário minímo tem duas facetas, tendo em conta o momento económico do país, sendo que, se o país está vivendo um momento de crescimento económico, os impactos negativos do salário minímo serão camuflados devido ao momento económico, mas se a economia encontrar-se em recessão ou estagnação, esses efeitos serão ainda mais severos, e a meu ver, a economia de Cabo Verde não consegue suportar essa imposição, independente do momento.

Acredito que o salário é fruto de negociação entre o trabalhador e o empresário e que o valor do salário depende da produtividade do trabalhador. No meu ponto de vista, medidas como salário minímo, são medidas politicas e não económicas, e Cabo Verde precisa mais de medidas económicas.

Janecas Fortes


Como eu vejo a Crise… (Délio Leite)

Para aqueles que convivem comigo, já não é novidade o facto de eu estar sempre a reclamar de alguma coisa deste mundo/sociedade consumista e sem valores.

Portanto, é desta forma que eu vejo as coisas.

Vivi até aos 18 anos em Santo Antão, na Vila da Ribeira Grande (ou cidade, ou vila, ou povoado, não me interessa, importo mais com as pessoas que lá vivem). Mudei para Lisboa para me formar e 10 anos depois, ainda aqui estou.

Sempre me dei bem com todos, desde os que amo, aos que poucos sentimentos me despertam. Se alguma vez desdenhei de alguém, ou esse alguém se sentiu “pouco” por alguma atitude minha, peço perdão, pois essa não era a minha intensão, com certeza. Também sou humano e estou sujeito a errar, mas, não uso esta desculpa de “ser humano” para constantemente errar e servir-se de escudo.

Por mais que tente, não consigo deixar de questionar a veracidade de quase tudo o que vejo, no que toca a “documentários”, “ajudas humanitárias”, “planos para sair da crise” (financeira é que não é de certeza absoluta), “fundos de apoio das grandes empresas”… Dou alguns exemplos:

1 – O Ecoponto em Portugal: pedem para, cuidadosamente, separar o lixo e, cuidadosamente, depositá-lo nos posto espalhados pelo país. Não o faço e digo porquê: Não ganho nada em fazê-lo, e quando digo eu, digo todos os que o fazem, excepto as empresas que depois os transformam em produtos. Comprar um recipiente preparado para o ecoponto, custa mais de 30€ nos hipermercados, reciclo sem receber e ainda compro produtos reciclados por ai, pagando por aquilo que reciclei. Um paradoxo não é? A desculpa de que estou a ajudar o ambiente, não cola, pois se colasse, um governo que consegue ver que reciclar é bom, consegue também ver que energias renováveis são, de longe, melhores que o petróleo por exemplo, mas nem por isso deixam de o comercializar, para não perderem os benefícios financeiros que o sistema oferece.

Se queres mesmo ajudar o ambiente, recicle sim, mas transforme tu mesmo o teu produto, ou entregue-o onde sabes que vai mesmo valer a pena o teu esforço!

Quando mudarem os fins, passo a fazer parte desta ideia que podia ser, mas, não é bonita.

2 – Morrem 2 crianças, por cada 10 kg de produtos mineiros colhidos para serem transformados em playsation e outras coisas do género. Aposto que a SONY (empresa que desenvolve a playsation) tem um fundo ou um gabinete de apoio social… só para disfarçar.

3 – Vou ao supermercado na época natalícia, e não é que aproveitam até esta época para tirarem proveito do “coitado” (do ignorante, do menos culto, do pobre…), com campanhas do tipo: “ARREDONDA” – se a tua compra for 9,99€ por exemplo, os 0,01€ são arredondados ao valor a pagar, e estes 0,01€ vão para um fundo de apoio criado por estas empresas, que, ironicamente pertencem aos homens mais ricos (financeiramente, claro), do país. Até ouvi dizer que ganha bom retorno (financeiro, claro) no IRS / IUR, quem se mete a ajudar o outro. É caso para dizer: “Meu Deus do céu…”

No Mundo em que vivo, já até me cansei de sair à noite e ver o mesmo desfile de figurinos, night by night, sempre igual. Já me cansei de ver disputas e mais disputas de “nada”. “Quem bebe e aguenta mais tempo em pé?”, “Quem está mais bem vestido(a)?”, “!Quem tem mais carros e, de preferência, mais caros”, “Quem é do Gang mais temido”?, “Quem faz a dança mais suja e mais perversa?”. Nos olhos dos jovens, isso é tudo normal, porque é da época.

Minha gente, isso tudo é fruto da sociedade consumista que vivemos. Tudo tem sido preparado há muito tempo, a lavagem cerebral começou há décadas atrás.

CRISE FINANCEIRA? Nem por isso… de VALORES? Ah Pois claro. Se não vejamos:

1 – Em Cabo Verde (Ilha de Santo Antão, em particular), quem nunca ouviu estas célebres frases: “prei en de c’açucar”, “farinha já cabá”, “ta cum senhor ta vendê cebola lá sim, bé la depressa antes des cabá”?  Mesmo assim, os políticos e os ditos “entendedores da matéria”, estão divididos quanto a saber se Cabo Verde está em crise ou não. Enquanto isto, Portugal que declarou estar em crise e até ajuda financeira do FMI recebe, quase nunca oiço frases parecidas. Vou ao supermercado, com muita convicção de lá encontrar o que procuro.

2 – Ah, esqueci-me que é cada vez mais difícil o português ser feliz (o cabo-verdiano está cada vez mais parecido), porque está mais complicado comprar o carro, a casa e meter lá dentro uma família, porque dá nas vistas e se projecta melhor na nossa sociedade, porque todos fazem o mesmo. Neste caso, Portugal está realmente em crise, compreendo (ironicamente, como é óbvio).

3 – Hoje, tenho até receio de dizer: “antigamente fazia-se assim, assado, cumprimentava-se as pessoas, respeitava-se os mais velhos, o próximo…” para não correr o risco de levar com uma resposta típica de quem acha que o mundo deve mudar em todos os aspectos, por ser consequência da evolução: “Tempo eh ôte môss, no ta na ôte época môss, txá de ser conservador!”. Pois é, ai mora o erro:

 Quem não sabe filtrar o “Bom” e o “Mau”, vai pelo “mais comum” e espere pela sorte!

4 – A cidade da Praia, capital de Cabo Verde, não tem luz, não tem água, tem violência gratuita, e, ironicamente, somos País de Desenvolvimento médio, pois, já nos vêm com outros olhos. Mas, que olhos são estes? Olhos de que já podemos entrar no grupo dos tais e usufruir dos quais, e mesmo assim ver o aumento progressivo de problemas graves no País?

Com estes olhos, prefiro ver o meu POBRE Cabo Verde (financeiramente, claro), mas RIQUÍSSIMO em Valores, humano e cheio de morabeza, que todos nós gostamos e sempre admiramos.

5 – Enquanto isso, o Africano, o Cabo-verdiano, Santantonense, teima em ser cómodo, usando destas citações, o pão nosso de cada dia:

“Ame, já nô ta custmod, no te bé ta safá”

“Ame, ess mine dava ta contá kêl, por isso…”

“Ame, es dzê’m que en ne possível, por isso, jam desisti”

“kêl senhor(a) lá ê chei delas, êl eh um de kej boss dess lugar… Mi nunca hm te bé pode ser moda ele”

Pois é, não sejas! Seja tu mesmo, grande sim, mas a tua maneira e deixe de invejar o outro!

Se eu te der exemplos daqueles que realmente não são porque não conseguem, pensarias diferente com certeza (vê o exemplo por si mesmo, não podes esperar que sempre alguém te vai surgir, do nada, e te mostrará o caminho!).

No outro dia, em São Nicolau, reclamava com o morador do Tarrafal, o factor transporte/ligação com as outras ilhas. Na minha óptica, devia ter um barco que fazia a travessia diária para, pelo menos, um dos principais centros comerciais de Cabo Verde.

Sabem o que foi que ele me disse?:

Ah não, tud dia não, el tava bá vazio tud dia”.

Como é que ele quer que vá cheio todos os dias, se o seu pensamento pequeno e sem perspectivas de crescimento da sua Ilha, não o permite ver que, se o barco for vazio durante 6 meses, mas mesmo assim manter o fluxo, mais investimentos surgirão, mais pessoas regressam à casa (em 10 anos, em vez de aumentar, a população diminuiu drasticamente naquela Ilha e nos demais, com excepção de Santiago, São Vicente, Sal, como é óbvio) e consequentemente, menos vazias serão as viagens diárias e consequentemente, menos isolados estarão?

Com uma única viagem semanal para São Vicente e Santiago, respectivamente,  eles ainda respondem: “Ah, já foi pior“, em vez de dizer: “Hm crê melhor e não menos pior

Pergunta que não quer calar:

PREFERES TER BOA PINTA E NÃO TER SOSSEGO, OU SER “FEIO” E SER FELIZ?

Por Délio Leite (Déy)

Ontem: “o que é TV?” / Amanhã: “O que é arroz?”


Novo desafio PLURIM

O desafio é simples e fácil de conseguir. É só entrar no sonho e deixá-lo guiar-te!

Estamos radiantes com o nível que o exercício “Ribeira Grande em 2025. Como será?” tem suscitado, pois as viagens aqui expostas nos fazem confirmar o conhecido provérbio “quem não sonha, não vive”.

Por isso, lançamos novo desafio ao leitores do plurim:

– Caso ultrapassemos 15 sonho/viagens, prometemos lançar estes sonhos em formato digital e impresso, com os nomes dos referidos sonhadores e claro, distribuí-los gratuitamente aos ribeiragrandenses. Serão feitos tipo panfletos/boletins, ou outra sugestão que nos seja mais viável e esteticamente mais bem conseguida.

o que acham?

obs. Os sonhos devem continuar a ser postados em forma de comentários no artigo “Ribeira Grande em 2025. Como será?”. Terá apenas que clicar em cima do que está sublinhado (link para o post) e comentar ali mesmo. Ajudará sem dúvida na selecção dos 15 melhores sonhos. Agradecemos a sua compreensão!


Ribeira Grande em 2025. Como será?

Ribeira Grande em 2025

Ribeira Grande em 2025

– Como imaginas o Concelho da Ribeira Grande em 2025 (daqui a 15 anos)?

– Qual o modelo de desenvolvimento que devemos seguir para alcançar o progresso do Concelho?

– Qual o modelo de desenvolvimento que não se deve seguir?

– Quais as prioridades a terem em linha de conta?

– Em 2025, Ribeira Grande será aquilo que tu esperas que seja?

Este exercício trará pistas importantes para modelos de gestão municipal, de definição de políticas públicas e não só.

Ribeira Grande agradece a sua colaboração!

Plurim (Sugestão de Paulino Dias)


Estradas vs Barragens. Eis a questão! (sondagem)

Vote (no final deste post) naquele que, para si, corresponda a prioridade de investimento no nosso Concelho/Ilha, tendo em conta a importância destas infraestruturas no nosso desenvolvimento. Não deixe de comentar a sua opção e contribuir assim para o futuro do Concelho (“várias cabeças pensam melhor do que poucas cabeças“)

Deixamos, no entanto, uma pequena ajuda:

Importância das Estradas

– Deslocamento facilitado entre localidades; redução do tempo de percurso; racionalidade e eficiência das estruturas urbanas e rurais, melhorando as relações de troca e serviços que mantêm as respectivas vivências; poupança na manutenção dos veículos quando a estrada é substituída por outra em piores condições.

Importância das Barragens

– Produção de energias renováveis; armazenamento de grandes quantidades de água e consequente abastecimentos de grandes áreas rurais e urbanas; rega de extensas áreas agrícolas e consequente melhoria no abastecimento alimentar; controle de grandes chuvas e consequentes cheias,  protegendo até mesmo, estradas no enfiamento das passagens das águas destas cheias, evitando grandes despesas de manutenção rodoviária; fomentar a prática de desportos náuticos, actividades de recreio e lazer ou mesmo construção de unidades hoteleiras.

Estrada R. Grande Danficiada pelas Cheias

Estrada R. da Torre danificada pelas cheias


Barragem do Poilao, Santiago

Barragem do Poilao, Santiago

Quantidade de água que vai para o Mar_Ribeira Grande

Quantidade de água que vai para o Mar_R. Grande

 

Obrigado pela participação,

Plurim