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PUVA AO RUBRO (tudo é uma questão de conveniência)

Claro que não podia deixar de comentar o acontecimento deste fim-de-semana em Povoação (Puva), ora essa!

Muitos revoltados, muitos cheios de razão, muitos cheios de raiva… o certo é que todos têm razão mas ao mesmo tempo não têm razão nenhuma. Confuso? Vou explicar!

Para quem não sabe, aprovou-se, há pouco tempo, uma lei nacional (definida e votada pelos deputados nacionais eleitos pelo POVO – veja aqui), onde consta que os estabelecimentos de diversão nocturna (bares, discotecas, pubs…) teriam que encerrar o expediente mais cedo do que o costume, tanto nos dias úteis como nos fins-de-semana.
Pois é, quando se fala de “diversão, sabura, paródia, festa…” o POVO enche-se de razão e faz o que fez. Mas quando se fala de outras coisas tão sérias como o entretenimento, como sendo a SEGURANÇA, O RESPEITO, QUEM e COMO os eleitos governam o POVO, SAÚDE, e muitos outras questão (tão importantes como o entretenimento, repito), não se vê e nem se vai ver manifestações desse calibre que aconteceu em Ribeira Grande. Sabem porquê?
Resposta simples: Tudo é uma questão de conveniência, de exibição e sobretudo de aparência. Passo a explicar:
1- Há muito tempo que este nosso Concelho perdeu o sentido de AUTORIDADE, tanto policial como governamental. Não se pune, não se educa, não se dá o exemplo, não se faz coisa nenhuma para justificar o nome “AUTORIDADE”.
2- Quem não sabe o quão impune tem sido a polícia de Povoação com certos delinquentes que constantemente perturbam a vida dos outros nesta localidade? Perguntem a qualquer coitado de PUVA que este saberá vos dar conta de quem falo. Porém, além de nunca terem sido punidos como deveriam ter sido, continuam a desacatar as ordens e a arrumar cada vez mais confusões. Sabem o que isto origina? Precedências. Isso mesmo: “faço, não sou punido, porque não fazer de novo já que apanhei o gostinho da coisa?!”
3- Uma Ordem Policial que até exibe poder apenas quando lhe convêm (sim, têm poder, mas não lhe dão uso sempre, apenas quando convêm) Não pode ter estofo suficiente para usar da palavra ORDEM. Culpados? Muitos suspeitos, poucos condenados! Lembram-se do dia em que foram exibir os equipamentos novos (fardas blindadas, capacetes, escudos, armas novas…), numa festa de jovens que terminou com uma guerra entre pouquíssimas pessoas? Ouvi dizer que as armas usadas para dispersar o povo de ontem não continham balas de borracha?! Há quem tenha até encontrado as balas e guardadas em casa. Será isso verdade?! Eu não descarto tal hipótese, conhecendo o meu riquíssimo país sem justiça tal como o conheço… “não ponho a minha mão no fogo”.

4- Um lugar com uma certa dificuldade em manter os estabelecimentos a funcionar, devido a inúmeros factores negativos que vêm tirando poder de compra dos seus habitantes (factores esses expostos pelo presidente da INE há menos de 1 semana, que deixaram ainda mais preocupados todos os intervenientes desta Ilha), não se percebe como se criam tais leis, aprovam-nas, e sem mais nem menos fazem-se cumprir, como se a minoria da assembleia fosse mais soberana que o povo que os elegeu. Paradoxal, pois não? Não, não é. Isto é fruto da conformidade de todos, sobretudo do povo. O nosso povo só tem força para discutir “paródia, sabura, futebol…”

5- Onde já se viu implementar uma lei e não criar alternativas para as inúmeras lesões que esta mesma lei cria? Mais uma que não me espanta. Foi como criar a nova estrada Porto Novo-Janela, sem preparar alternativas para os moradores das zonas afectas a antiga estrada Porto Novo- Ribeira Grande. Deu no que deu.

“Se não cortam males pelas raízes, esperem para ver o tamanho da árvore”

Eu sou de acordo que deve-se estabelecer limites horários e níveis de perturbação em zonas de caris habitacional sim, até porque quando se trata do nosso sono, somos os primeiros a jogar água quente nas cabeças dos outros. Mas quando não nos convêm… aí fica chato. Porém eu nunca serei a favor da proibição de diversão, quando não criam alternativas, ou seja, quando não se disponibilizam a preparar áreas nocturnas, tal qual existem em todos os lados do mundo, muito menos facilitam a mudança dos comerciantes que até querem contribuir. Quem hoje finge que não sabe que em zonas habitacionais de muitos países civilizados, a partir de determinadas horas não há barulho, porque as pessoas querem acordar “frescos” para mais um dia de trabalho, estas pessoas só falam assim porque as convêm. Em Lisboa, por exemplo, nas zonas onde eu vivi durante 11 anos, nunca ouvi barulho a partir da 00h ou até antes. Mas no Bairro Alto, zona de diversão nocturna, é barulho que se farte. Na avenida 24 de Julho então, nem se fala. Em muitas outras zonas, mesmíssima coisa, dependendo da tipologia das mesmas.
Sabem porque ninguém reclama? Porque têm alternativas. Aí está a diferença.

6- Há muitas vozes revoltadas com esta situação, mas há revoltas e revoltas, convenhamos. Reivindicar queimando pneus no Terreiro às 04h da madrugada? Jogando garrafas nas janelas dos vizinhos que também protestavam um direito deles de DESCANSAR? Protestar aos gritos por toda a vila, numa hora em que a maioria DORME? Quebrar pára-brisas do carro da polícia? Quebrar faróis do carro da polícia?

É, como diz o outro, “com tanta razão, foi meter-se a besta e perdeu-a toda”. Com tantos motivos para ganhar a batalha, entregou-se de mão beijada ao bandido, dando-o razão por não saber agir.

Eu sou a favor da revisão desta lei e da criação de alternativas aos jovens da vila, por isso, deixo aqui algumas sugestões de manifestações pacíficas que sempre deram mais frutos do que actos de vandalismo. Sim porque, quando tínhamos apenas com o que atacar, ao agirmos de forma errada, passamos a estar obrigados a defender de nós próprios. Muita ironia!

Sugestões de protesto:
– Abaixo-assinado – Já que quem elege os poderes políticos é o POVO e que o político é eleito para cuidar do POVO, nada mais certeiro do que juntar um grande número de assinaturas favoráveis ao que se quer protestar, mostrando ao poder político quem é soberano? Cria-se um bom texto expondo a situação e os motivos do protesto e saem-se as ruas colhendo assinaturas. Quem já fez isso em Povoação? Ninguém. Só fazem barulho quando se trata de “paródia”.
– Porque não organizar uma marcha contra tal lei, ou uma corrente humana, já que estão a alegar que é a maioria que não está de acordo? Imaginem só se a maioria for a favor desta lei??? Imaginem??? Como diz os velho ditado: “os incomodados é que se retiram”. Mas eu prefiro acreditar que a maioria é CONTRA O ENCERRAMENTO A TAIS HORÁRIOS SEM SE CRIAREM ALTERNATIVAS, mas e se não for? E se a maioria quiser que Povoação se transforme num DORMITÓRIO, como muitos têm comentado estes dias??? E se… e se….
Muitos SE’s e pouca acção. Vamos mais é protestar com a cabeça e não com o coração, caso contrário vamos perder a razão e não haverá mais solução.
– O voto. Protestem na hora do voto. Ah e tal, são todos iguais, e tal… Minha gente, voto em branco, também é uma forma de protesto. Saibam mais aqui

Sejam coerentes não apenas com aquilo que vos convêm individualmente, e parem para pensar antes de mover acções que afectam uma comunidade inteira.
Ah, já ia me esquecendo: “Os que estão presos, não deram a devida atenção àqueles que já começaram o barulho há muito tempo, porém estão no conforto das suas casas e dos seus Facebooks, mandando vir com tudo e com todos, porém, sabem onde e como agir, portanto, fiquem mais atentos e não deixem ser corrompidos com as ideias dos outros. Pensem e agem com a vossa própria cabeça, porque tal como se viu, estão a pagar um preço muito caro por terem deixado os vossos impulsos falaram mais alto do que a vossa razão.” Que aprendam a lição e venham mais fortes (mentalmente) para ajudar neste e muitos outros protestos que sempre vão ser necessários para acabar com os mandos e desmandos da minoria perversa!

Délio Leite (Déy)

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Nôs Cabu Verdi di Fachada (…) DESVIO, FRAUDE, CORRUPÇÃO, CRIME (…)

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Nem será preciso dizer muito. Apenas acompanhe o racioncínio das notícias que vamos expor de seguida, e tirem as vossas próprias conclusões quanto ao estado do nosso país (CABO VERDE), onde a ganância, a sede de poder, a desigualdade, a falta de compaixão e respeito ao próximo e o mundo da aparência tomou conta dos nossos patrícios. O pior é que para alguns isso é a consequência da evolução, quando é exactamente o contrário – RETROCESSO.

Vejamos:
Corrupção nas Finanças – Cerca de 36 mil contos desviadosImagem
Desvio BCA – Porto Novo – Mais de 100 mil contos desviados

Alfândega do Aeroporto da Praia – Sumiço de 6 mil contos
Desvio na Ribeira Brava – Cerca de 10 mil contos sumidos
Desvios na Caixa Económica de Coculi e Espargos
LANCHA VOADORA (dossier completo em PDF, neste link)

Reflitamos!

– “QUANTO MAIS SUBIMOS, MAIOR SERÁ A QUEDA”
– “O QUE MAIS ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS, MAS SIM, O SILÊNCIO DOS BONS”
– “O PIOR CEGO É AQUELE QUE TEIMA EM NÃO QUERER VER”


CABOVERDIANO É RACISTA

Foi com conhecimento de causa e nenhuma surpresa que li esta semana inúmeras barbaridades, inúmeros comentários tristes e deploráveis sobre a notícia da morte do nosso conterrâneo Sócrates (jornal ASEMANA – numa matéria amadora e pseudo-jornalista de Susana Rendall Rocha), reveladores do quão racistas são muitos dos nosso patrícios, armados em grande, quando não têm noção do quão pequeno aparentaram com este episódio (é, é, já sei… acabei de ferir o orgulho besta de alguns não é?).
Quem nunca ouviu o Caboverdiano dirigir-se aos Africanos do continente (os africanos pretos e não os africanos brancos…) como sendo um só, ou seja, “mandjacos”? – Este é apenas um de muitos exemplos.

Quantos Caboverdianos terão interesse em saber que devem haver pouquíssimos mandjacos (etnia ou povo, que é parte integrante da Nação Guineense onde existem também: Pepel, Balanta, Mandingas, Fulas, Djakanka, Oïnka, Felupe, Mankanhe, Bijagós, Biafada, Sussu, …) em Cabo Verde, e esses que assim chamam têm nome, país, etnia própria e que merecem o mesmo respeito que exigimos do portugueses?

Pois é minha gente, sou Caboverdiano, mas não sou hipócrita, e por este facto afirmo, com plena convicção:
CABOVERDIANO É RACISTA.

Dos muitos que publicaram aquela notícia no Facebook, ou dos que comentaram no próprio jornal, pouquíssimas foram aqueles que tiveram a dignidade de mostrar dúvida em relação a matéria, já que, nem sequer tinha sido revelado a autópsia e muito menos tinha-se ouvido o outro lado da moeda, ou seja, o suposto hospital que não o terá atendido. Estranho não é?

Pois, para mim não há nada de estranho nisso. Esta notícia serviu apenas para mostrar o lado ruim, egoísta, vaidoso, xenófobo, racista e muitas outras atitudes reprováveis dos nossos patrícios, que eu pessoalmente já tinha noção.

Claro que sei que no meio de tantos racistas em Cabo Verde (muitos conhecidos meus, até familiares…), existem muita boa gente, super amáveis, acolhedores, pouco ou nada egoístas, de coração enorme, porém, também sei que o mal sempre sobrepôs ao bem, portanto, estes são uma minoria em Cabo Verde, tal como o são em Portugal.

Tanta vez já se ouviram patrícios nossos com dificuldades em assumir serem AFRICANOS? O pior é que esta dificuldade é exactamente pela cor da pele, por pensarem que África é constituída apenas por negros, pobres e sujos, ou pelo facto de desconhecerem a riqueza do nosso continente (“se não for rico, fino, lindo, puro… não quero, não é igual a mim“).
A nossa bazófia não ia permitir-nos misturar com “aquele povo”, porque somos mais parecidos com os brancos da Europa… Tanta ignorância e pequenez.

Portanto, quando vejo Estudantes Caboverdianos escreverem:

“Eu já não gostava de portugueses, com isto passei a gostar menos ainda”

…e a opinião do imigrante Guineense em Cabo Verde, qual seria???? E o senegalês??? Tenham Santa paciência.

ou, 

“Se fosse em Cabo Verde, o tratamento era outro”

Esse bom tratamento deve-se a 2 razões: 1, porque o lado pequeno do Caboverdiano o faz pensar que o branco é mais do que ele – pobreza de espírito – logo deve-lhe servidão; 2, porque o lado grande do Caboverdiano (o lado do bem) o faz pensar que o correcto é tratar bem as pessoas, e que não se deve responder a um erro com um mesmo erro. Este é o meu lado.

Eu, pessoalmente, não devo nada a Portugal, nem Portugal deve nada a mim. Cabo Verde foi outrora importantíssimo para Portugal na expansão marítima, hoje Portugal é útil para Cabo Verde em N coisas, portanto, somos todos iguais e ninguém deve nada a ninguém. Façam o bem para poderem exigi-lo em troca!
Para terminar, deixo um apelo:

 “Se o seu telhado é de vidro, não jogue pedras no telhado do vizinho!”

Délio Leite (Déy)


A Mentalidade do Santantonense

Outro-dia, conversando com um grande amigo, fiz a seguinte constatação:

– O Santantonense tem a fama de ser humilde demais e, por isso, somos uma das ilhas que menos beneficia dos recursos do Governo Central (estamos no último lugar no quesito prioridades). Talvez por essa razão somos a ilha mais pobre do país (segundo dados do INE).

Pode ser que eu esteja errado, ou que você tenha outra visão acerca do assunto mas, essa é uma realidade visível! Isto porque, como dizemos no nosso querido crioulo, “ Nô tem mania de contentá que pôc”.

Pra uma ilha que quer sair do “fosso do abismo”, essa mentalidade é reprovável!

Porque será que a Ilha de Santiago está liderando essa “corrida”? Porque será que a Economia da Ilha de Santiago é mais “avançada” que a Economia do nosso querido Santo Antão? Será porque eles pensam diferente de nós? Ou será que é apenas um mero resultado do destino?

Uns devem estar a pensar que isto acontece porque, Santiago é a maior ilha do país, portanto, com um maior mercado consumidor. Outros devem estar a pensar que isso acontece porque ela é a ilha que mais atrai projectos de investimentos no país, ou por ser a capital e, portanto, por sediar o Governo Central. Outros devem estar a culpar essa política concentradora do nosso Governo.

Não que estejam errados mas, isso acontece porque, primordialmente, eles pensam de uma forma diferente da nossa! Eles têm uma mentalidade de “querer cada vez mais”. E eles exigem o suficiente pra que isso aconteça!

Sei que pode haver controvérsias com essa minha constatação mas, a mentalidade, a ideologia e a atitude, são factores que podem decidir o rumo da Economia de uma dada comunidade.

Caro Santantonense, hora de mudar a nossa mentalidade chegou! Justamente agora que o nosso país enfrenta desafios! Um deles é por sermos um país de desenvolvimento médio. Outro é por estarmos em crise! Precisamos dessa atitude e, sobretudo, criar novas ideias para que possamos enfrentar os obstáculos e progredir a Economia nacional e regional.

Temos potencial pra isso! Somos ricos em recursos como; recursos hídricos, terras de cultivo (sequeiro e regadio), bens agrícolas, segurança, turismo (principalmente o rural), ecoturismo, jovens talentosos…somos uma ilha vasta!

Tomemos a atitude de querer e exigir cada vez mais a infra-estruturação da ilha (e tem de ser de qualidade). Isto porque, a infra-estruturação gera investimentos horizontais e, com isso, suprir a carência de projectos, um dos factores para o nosso “atraso”.

A incidência de tributos e contribuições do Governo é a mesma em todas as ilhas. Portanto, pagamos o mesmo imposto!

“Querer e exigir cada vez mais”. Essa é a nova ordem, essa é a nova mentalidade que precisa ser adoptada!

Corajoso de Santo Antão, posso contar consigo?

Carlos Bentub

Economista


Como cria um Cabo Verde de IDIOTAS! Realidade ou Coincidência?

Bom, cabe a cada um analisar o video seguinte como bem intender. Se a sua análise terá benefício próprio e se este benefício não sirva, de alguma forma, o meio que o rodeia, engana o seu se, a longo prazo terá descanso. Pelo menos uma coisa há de perder: A LIBERDADE.

Os comentários, com uma exagerada dose de ironia, se se aproximarem da realidade, são frutos da mais pura “coincidência”.

Neste video, são expostos os 10 Passos para criar um País de IDIOTAS”:

1 – Acabar com a educação de qualidade

A Educação em Cabo Verde está sempre em crescendo, não fosse o número de escola a serem construídas para servir de prova (como se o edifício fosse sinónimo de educação…pfff) . Os professores, em geral, terão mais dados do que nós sobre o “aumento da qualidade” e a “motivação” para leccionar no sistema educativo do nosso país. Pergunte-os!

2 – Dar oportunidades para poucos

Para a ilha de Santiago, por exemplo. Esquecer as outras ilhas é uma boa estratégia para super-lotar esta, de forma a cria cada vez mais problemas. Electra, Clandestinidade, insegurança… em todo o caso, é ali que se encontra a capital do país, logo…

3 – Criar uma mídia (meios de comunicação social) inútil

Cada partido político, do governo e da oposição, deve ter o seu próprio jornal/tv/rádio, de forma a “aumentar” a credibilidade de cada um, uma vez que, cada um terá a sua própria verdade, contrastando a verdade do adversário, deixando o eleitor “menos” confuso e cada vez mais fiel ao partido que lhe trás benefícios.

4 – Garantir um sistema de saúde horrível e cada vez pior

Mais e mais máquinas para os hospitais, mais hospitais e centros de saúde e cada vez menos qualidade nos serviços hospitalares, para garantir que se espere cada vez mais para ser atendido e que se controle melhor a população. Uma vez debilitado, melhor controle se tem sobre quem quer que seja.

5 – Cobrar altos impostos

Este não concordo, porque em Cabo Verde os impostos só tendem a “baixar”, o trabalhador é cada vez mais beneficiado com o reforço do INPS, portanto, tem sido tudo “JUSTO”. Logo, deve-se aumentar mais ainda os impostos, para garantir um país mais IDIOTA.

6 – Garantir a impunidade

Quanto mais crimes, menos punições possíveis e cada vez mais criminosos fora das prisões. Assim se garante uma sociedade cheia de medo de represálias (vinganças) e cada vez menos activo, de forma a garantir que o sistema não se altere e funcione a maneira da minoria.

7 – Tudo tem que NÃO funcionar

Como “SERVIR” em Cabo Verde por exemplo. Um estudo indicou que o Caboverdiano  têm complexo em servir o outro. Nada mais justo. Se sou atrevido e “hm ta podê que nha cosa”, porque servir o outro e não ele a mim, já que mais do que ele sou?

8 – Promover o desemprego

Na óptica da debilidade provocada pelo sistema de saúde horrível, o desemprego só trará os mesmo benefícios. Quem trabalha tem direitos, quem não trabalha tem que procurar “cunhas”, por isso não deve exigir nada.

9 – Jamais investir na tecnologia

Só se investe na tecnologias que estiver na moda, para não perderem o hábito. Se se investir em excelentes tecnologias que garantam um maior controlo de tudo o que seja ilícito no país, só trará prejuízo a quem queira controlar quem quer que seja.

10 – Empregar MÁGICOS (pessoas que duplicam/triplicam as rendas deles e dos seus em poucos anos) no governo

Este, não precisa exemplificar. Para os “não cegos”, estamos conversados. Para os “cegos de propósito”, o tempo vos dirá. Para os “cegos”, temos pena.

Para finalizar e ironias a parte, devemos dizer o seguinte:

QUANTO MAIS CALADOS FICAMOS, MAIS IDIOTA O NOSSO HABITAT SE TORNA.

“O pior cego é aquele que teima em não quer ver”

plurim


Salário Mínimo em Cabo Verde: Problema ou Solução?


O salário mínimo em Cabo Verde foi algumas das promessas de campanha e está agora em discussão se de facto o mercado de trabalho de Cabo Verde pode suportar uma imposição como esta.

 O salário mínimo é direccionado à mão-de-obra não qualificada, especialmente aos jovens. A discussão sobre esta imposição deve ter como base dois grandes pilares: Teórico e Prático.

QUESTÃO TEÓRICA

As justificativas usadas pela maioria dos governos do mundo, na imposição de salário mínimo aos mercados, são de reduzir o poder dos empregadores estabelecendo salários demasiadamente baixos e com isso proteger os trabalhadores menos qualificados de serem explorados, fazendo uma redistribuição da renda, favorecendo este mesmos trabalhadores menos qualificados.

Porém para entendermos se, de facto, o salário mínimo protege os trabalhadores menos qualificados teremos de entender, em primeiro lugar, como funciona o mercado de trabalho. Este pode ser explicado como a intersecção das curvas de procura e oferta de trabalho. O ponto de equilibro do mercado situa-se no ponto onde as duas curvas se cruzam, significando que o mercado encontra-se numa situação de pleno emprego e salário óptimo e que a oferta de trabalho é igual à procura. 

Curva de Oferta de Trabalho

A curva de oferta de trabalho pode ser defenida como uma relação proporcional entre o trabalho e o salário, ou seja, a medida que o salário aumenta a oferta de trabalho também aumenta. Essa relação pode ser vista claramente no gráfico acima.

Curva de Procura de Trabalho

A curva de procura de trabalho varia no sentido oposto ao da curva de oferta. A medida que o salário aumenta a procura por parte dos empresários por trabalhadores cai. Essa relação pode ser vista no mesmo gráfico acima.

No gráfico do mercado de trabalho, supõe-se que o salário mínimo imposto pelo governo seja superior ao salário vigente no mercado, que foi alcançado, não por imposição dos empresários, mas, por negocição entre as partes intervenientes – trabalhador e empregador.

QUESTÃO PRÁTICA

Na práctica qual o impacto da imposição do salário mínimo para a economia de Cabo Verde?

Para analisar esse impacto vamos supor, Coeteris Paribus, que se estabelece um salário de 12.000$00 quando o vigente no mercado interno seja de 10.000$00, ou seja, um aumento de 20% do salário vigente.

Um dos marcos para se pensar economicamente é sempre ter a capacidade de analisar não só os efeitos imediatos, mas também estar sempre atento aos efeitos secundários. Frederic Bastiat, grande economista françês, alegava que o que diferencia um bom economista de um mau economista era a capacidade de prever os efeitos secundários.

Segundo o senso 2010, a população de Cabo Verde é composta maioritariamente por jovens, aproximadamente 40% da população, sendo que a taxa de desemprego se situou, em 2010, nos 10,7%. De acordo com o QIBB 2007, 26,6% da população é pobre e de acordo com a mesma pesquisa o coeficiente Gini (mede o grau de distribuição de renda) em Cabo Verde era de 0,47, num intervalo de 0-1.

Uma imposição do tipo do salário minímo, acima do salário vigente, como está demonstrado no gráfico acima, provocará um aumento do desemprego, uma vez que, a esse salário, mais pessoas estarão dispostas a trabalhar, porém mais empregadores estarão dispostos a não contratar, o que desestimulariam os empresários a contratar, logo, não haveria nenhuma distribuição de renda, portanto, os maiores prejudicados seriam a mão-de-obra não qualificada, os que teoricamente eram para ser protegidos.

O salário minímo tem duas facetas, tendo em conta o momento económico do país, sendo que, se o país está vivendo um momento de crescimento económico, os impactos negativos do salário minímo serão camuflados devido ao momento económico, mas se a economia encontrar-se em recessão ou estagnação, esses efeitos serão ainda mais severos, e a meu ver, a economia de Cabo Verde não consegue suportar essa imposição, independente do momento.

Acredito que o salário é fruto de negociação entre o trabalhador e o empresário e que o valor do salário depende da produtividade do trabalhador. No meu ponto de vista, medidas como salário minímo, são medidas politicas e não económicas, e Cabo Verde precisa mais de medidas económicas.

Janecas Fortes


Como eu vejo a Crise… (Délio Leite)

Para aqueles que convivem comigo, já não é novidade o facto de eu estar sempre a reclamar de alguma coisa deste mundo/sociedade consumista e sem valores.

Portanto, é desta forma que eu vejo as coisas.

Vivi até aos 18 anos em Santo Antão, na Vila da Ribeira Grande (ou cidade, ou vila, ou povoado, não me interessa, importo mais com as pessoas que lá vivem). Mudei para Lisboa para me formar e 10 anos depois, ainda aqui estou.

Sempre me dei bem com todos, desde os que amo, aos que poucos sentimentos me despertam. Se alguma vez desdenhei de alguém, ou esse alguém se sentiu “pouco” por alguma atitude minha, peço perdão, pois essa não era a minha intensão, com certeza. Também sou humano e estou sujeito a errar, mas, não uso esta desculpa de “ser humano” para constantemente errar e servir-se de escudo.

Por mais que tente, não consigo deixar de questionar a veracidade de quase tudo o que vejo, no que toca a “documentários”, “ajudas humanitárias”, “planos para sair da crise” (financeira é que não é de certeza absoluta), “fundos de apoio das grandes empresas”… Dou alguns exemplos:

1 – O Ecoponto em Portugal: pedem para, cuidadosamente, separar o lixo e, cuidadosamente, depositá-lo nos posto espalhados pelo país. Não o faço e digo porquê: Não ganho nada em fazê-lo, e quando digo eu, digo todos os que o fazem, excepto as empresas que depois os transformam em produtos. Comprar um recipiente preparado para o ecoponto, custa mais de 30€ nos hipermercados, reciclo sem receber e ainda compro produtos reciclados por ai, pagando por aquilo que reciclei. Um paradoxo não é? A desculpa de que estou a ajudar o ambiente, não cola, pois se colasse, um governo que consegue ver que reciclar é bom, consegue também ver que energias renováveis são, de longe, melhores que o petróleo por exemplo, mas nem por isso deixam de o comercializar, para não perderem os benefícios financeiros que o sistema oferece.

Se queres mesmo ajudar o ambiente, recicle sim, mas transforme tu mesmo o teu produto, ou entregue-o onde sabes que vai mesmo valer a pena o teu esforço!

Quando mudarem os fins, passo a fazer parte desta ideia que podia ser, mas, não é bonita.

2 – Morrem 2 crianças, por cada 10 kg de produtos mineiros colhidos para serem transformados em playsation e outras coisas do género. Aposto que a SONY (empresa que desenvolve a playsation) tem um fundo ou um gabinete de apoio social… só para disfarçar.

3 – Vou ao supermercado na época natalícia, e não é que aproveitam até esta época para tirarem proveito do “coitado” (do ignorante, do menos culto, do pobre…), com campanhas do tipo: “ARREDONDA” – se a tua compra for 9,99€ por exemplo, os 0,01€ são arredondados ao valor a pagar, e estes 0,01€ vão para um fundo de apoio criado por estas empresas, que, ironicamente pertencem aos homens mais ricos (financeiramente, claro), do país. Até ouvi dizer que ganha bom retorno (financeiro, claro) no IRS / IUR, quem se mete a ajudar o outro. É caso para dizer: “Meu Deus do céu…”

No Mundo em que vivo, já até me cansei de sair à noite e ver o mesmo desfile de figurinos, night by night, sempre igual. Já me cansei de ver disputas e mais disputas de “nada”. “Quem bebe e aguenta mais tempo em pé?”, “Quem está mais bem vestido(a)?”, “!Quem tem mais carros e, de preferência, mais caros”, “Quem é do Gang mais temido”?, “Quem faz a dança mais suja e mais perversa?”. Nos olhos dos jovens, isso é tudo normal, porque é da época.

Minha gente, isso tudo é fruto da sociedade consumista que vivemos. Tudo tem sido preparado há muito tempo, a lavagem cerebral começou há décadas atrás.

CRISE FINANCEIRA? Nem por isso… de VALORES? Ah Pois claro. Se não vejamos:

1 – Em Cabo Verde (Ilha de Santo Antão, em particular), quem nunca ouviu estas célebres frases: “prei en de c’açucar”, “farinha já cabá”, “ta cum senhor ta vendê cebola lá sim, bé la depressa antes des cabá”?  Mesmo assim, os políticos e os ditos “entendedores da matéria”, estão divididos quanto a saber se Cabo Verde está em crise ou não. Enquanto isto, Portugal que declarou estar em crise e até ajuda financeira do FMI recebe, quase nunca oiço frases parecidas. Vou ao supermercado, com muita convicção de lá encontrar o que procuro.

2 – Ah, esqueci-me que é cada vez mais difícil o português ser feliz (o cabo-verdiano está cada vez mais parecido), porque está mais complicado comprar o carro, a casa e meter lá dentro uma família, porque dá nas vistas e se projecta melhor na nossa sociedade, porque todos fazem o mesmo. Neste caso, Portugal está realmente em crise, compreendo (ironicamente, como é óbvio).

3 – Hoje, tenho até receio de dizer: “antigamente fazia-se assim, assado, cumprimentava-se as pessoas, respeitava-se os mais velhos, o próximo…” para não correr o risco de levar com uma resposta típica de quem acha que o mundo deve mudar em todos os aspectos, por ser consequência da evolução: “Tempo eh ôte môss, no ta na ôte época môss, txá de ser conservador!”. Pois é, ai mora o erro:

 Quem não sabe filtrar o “Bom” e o “Mau”, vai pelo “mais comum” e espere pela sorte!

4 – A cidade da Praia, capital de Cabo Verde, não tem luz, não tem água, tem violência gratuita, e, ironicamente, somos País de Desenvolvimento médio, pois, já nos vêm com outros olhos. Mas, que olhos são estes? Olhos de que já podemos entrar no grupo dos tais e usufruir dos quais, e mesmo assim ver o aumento progressivo de problemas graves no País?

Com estes olhos, prefiro ver o meu POBRE Cabo Verde (financeiramente, claro), mas RIQUÍSSIMO em Valores, humano e cheio de morabeza, que todos nós gostamos e sempre admiramos.

5 – Enquanto isso, o Africano, o Cabo-verdiano, Santantonense, teima em ser cómodo, usando destas citações, o pão nosso de cada dia:

“Ame, já nô ta custmod, no te bé ta safá”

“Ame, ess mine dava ta contá kêl, por isso…”

“Ame, es dzê’m que en ne possível, por isso, jam desisti”

“kêl senhor(a) lá ê chei delas, êl eh um de kej boss dess lugar… Mi nunca hm te bé pode ser moda ele”

Pois é, não sejas! Seja tu mesmo, grande sim, mas a tua maneira e deixe de invejar o outro!

Se eu te der exemplos daqueles que realmente não são porque não conseguem, pensarias diferente com certeza (vê o exemplo por si mesmo, não podes esperar que sempre alguém te vai surgir, do nada, e te mostrará o caminho!).

No outro dia, em São Nicolau, reclamava com o morador do Tarrafal, o factor transporte/ligação com as outras ilhas. Na minha óptica, devia ter um barco que fazia a travessia diária para, pelo menos, um dos principais centros comerciais de Cabo Verde.

Sabem o que foi que ele me disse?:

Ah não, tud dia não, el tava bá vazio tud dia”.

Como é que ele quer que vá cheio todos os dias, se o seu pensamento pequeno e sem perspectivas de crescimento da sua Ilha, não o permite ver que, se o barco for vazio durante 6 meses, mas mesmo assim manter o fluxo, mais investimentos surgirão, mais pessoas regressam à casa (em 10 anos, em vez de aumentar, a população diminuiu drasticamente naquela Ilha e nos demais, com excepção de Santiago, São Vicente, Sal, como é óbvio) e consequentemente, menos vazias serão as viagens diárias e consequentemente, menos isolados estarão?

Com uma única viagem semanal para São Vicente e Santiago, respectivamente,  eles ainda respondem: “Ah, já foi pior“, em vez de dizer: “Hm crê melhor e não menos pior

Pergunta que não quer calar:

PREFERES TER BOA PINTA E NÃO TER SOSSEGO, OU SER “FEIO” E SER FELIZ?

Por Délio Leite (Déy)

Ontem: “o que é TV?” / Amanhã: “O que é arroz?”