Monthly Archives: Fevereiro 2012

CABOVERDIANO É RACISTA

Foi com conhecimento de causa e nenhuma surpresa que li esta semana inúmeras barbaridades, inúmeros comentários tristes e deploráveis sobre a notícia da morte do nosso conterrâneo Sócrates (jornal ASEMANA – numa matéria amadora e pseudo-jornalista de Susana Rendall Rocha), reveladores do quão racistas são muitos dos nosso patrícios, armados em grande, quando não têm noção do quão pequeno aparentaram com este episódio (é, é, já sei… acabei de ferir o orgulho besta de alguns não é?).
Quem nunca ouviu o Caboverdiano dirigir-se aos Africanos do continente (os africanos pretos e não os africanos brancos…) como sendo um só, ou seja, “mandjacos”? – Este é apenas um de muitos exemplos.

Quantos Caboverdianos terão interesse em saber que devem haver pouquíssimos mandjacos (etnia ou povo, que é parte integrante da Nação Guineense onde existem também: Pepel, Balanta, Mandingas, Fulas, Djakanka, Oïnka, Felupe, Mankanhe, Bijagós, Biafada, Sussu, …) em Cabo Verde, e esses que assim chamam têm nome, país, etnia própria e que merecem o mesmo respeito que exigimos do portugueses?

Pois é minha gente, sou Caboverdiano, mas não sou hipócrita, e por este facto afirmo, com plena convicção:
CABOVERDIANO É RACISTA.

Dos muitos que publicaram aquela notícia no Facebook, ou dos que comentaram no próprio jornal, pouquíssimas foram aqueles que tiveram a dignidade de mostrar dúvida em relação a matéria, já que, nem sequer tinha sido revelado a autópsia e muito menos tinha-se ouvido o outro lado da moeda, ou seja, o suposto hospital que não o terá atendido. Estranho não é?

Pois, para mim não há nada de estranho nisso. Esta notícia serviu apenas para mostrar o lado ruim, egoísta, vaidoso, xenófobo, racista e muitas outras atitudes reprováveis dos nossos patrícios, que eu pessoalmente já tinha noção.

Claro que sei que no meio de tantos racistas em Cabo Verde (muitos conhecidos meus, até familiares…), existem muita boa gente, super amáveis, acolhedores, pouco ou nada egoístas, de coração enorme, porém, também sei que o mal sempre sobrepôs ao bem, portanto, estes são uma minoria em Cabo Verde, tal como o são em Portugal.

Tanta vez já se ouviram patrícios nossos com dificuldades em assumir serem AFRICANOS? O pior é que esta dificuldade é exactamente pela cor da pele, por pensarem que África é constituída apenas por negros, pobres e sujos, ou pelo facto de desconhecerem a riqueza do nosso continente (“se não for rico, fino, lindo, puro… não quero, não é igual a mim“).
A nossa bazófia não ia permitir-nos misturar com “aquele povo”, porque somos mais parecidos com os brancos da Europa… Tanta ignorância e pequenez.

Portanto, quando vejo Estudantes Caboverdianos escreverem:

“Eu já não gostava de portugueses, com isto passei a gostar menos ainda”

…e a opinião do imigrante Guineense em Cabo Verde, qual seria???? E o senegalês??? Tenham Santa paciência.

ou, 

“Se fosse em Cabo Verde, o tratamento era outro”

Esse bom tratamento deve-se a 2 razões: 1, porque o lado pequeno do Caboverdiano o faz pensar que o branco é mais do que ele – pobreza de espírito – logo deve-lhe servidão; 2, porque o lado grande do Caboverdiano (o lado do bem) o faz pensar que o correcto é tratar bem as pessoas, e que não se deve responder a um erro com um mesmo erro. Este é o meu lado.

Eu, pessoalmente, não devo nada a Portugal, nem Portugal deve nada a mim. Cabo Verde foi outrora importantíssimo para Portugal na expansão marítima, hoje Portugal é útil para Cabo Verde em N coisas, portanto, somos todos iguais e ninguém deve nada a ninguém. Façam o bem para poderem exigi-lo em troca!
Para terminar, deixo um apelo:

 “Se o seu telhado é de vidro, não jogue pedras no telhado do vizinho!”

Délio Leite (Déy)

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A Mentalidade do Santantonense

Outro-dia, conversando com um grande amigo, fiz a seguinte constatação:

– O Santantonense tem a fama de ser humilde demais e, por isso, somos uma das ilhas que menos beneficia dos recursos do Governo Central (estamos no último lugar no quesito prioridades). Talvez por essa razão somos a ilha mais pobre do país (segundo dados do INE).

Pode ser que eu esteja errado, ou que você tenha outra visão acerca do assunto mas, essa é uma realidade visível! Isto porque, como dizemos no nosso querido crioulo, “ Nô tem mania de contentá que pôc”.

Pra uma ilha que quer sair do “fosso do abismo”, essa mentalidade é reprovável!

Porque será que a Ilha de Santiago está liderando essa “corrida”? Porque será que a Economia da Ilha de Santiago é mais “avançada” que a Economia do nosso querido Santo Antão? Será porque eles pensam diferente de nós? Ou será que é apenas um mero resultado do destino?

Uns devem estar a pensar que isto acontece porque, Santiago é a maior ilha do país, portanto, com um maior mercado consumidor. Outros devem estar a pensar que isso acontece porque ela é a ilha que mais atrai projectos de investimentos no país, ou por ser a capital e, portanto, por sediar o Governo Central. Outros devem estar a culpar essa política concentradora do nosso Governo.

Não que estejam errados mas, isso acontece porque, primordialmente, eles pensam de uma forma diferente da nossa! Eles têm uma mentalidade de “querer cada vez mais”. E eles exigem o suficiente pra que isso aconteça!

Sei que pode haver controvérsias com essa minha constatação mas, a mentalidade, a ideologia e a atitude, são factores que podem decidir o rumo da Economia de uma dada comunidade.

Caro Santantonense, hora de mudar a nossa mentalidade chegou! Justamente agora que o nosso país enfrenta desafios! Um deles é por sermos um país de desenvolvimento médio. Outro é por estarmos em crise! Precisamos dessa atitude e, sobretudo, criar novas ideias para que possamos enfrentar os obstáculos e progredir a Economia nacional e regional.

Temos potencial pra isso! Somos ricos em recursos como; recursos hídricos, terras de cultivo (sequeiro e regadio), bens agrícolas, segurança, turismo (principalmente o rural), ecoturismo, jovens talentosos…somos uma ilha vasta!

Tomemos a atitude de querer e exigir cada vez mais a infra-estruturação da ilha (e tem de ser de qualidade). Isto porque, a infra-estruturação gera investimentos horizontais e, com isso, suprir a carência de projectos, um dos factores para o nosso “atraso”.

A incidência de tributos e contribuições do Governo é a mesma em todas as ilhas. Portanto, pagamos o mesmo imposto!

“Querer e exigir cada vez mais”. Essa é a nova ordem, essa é a nova mentalidade que precisa ser adoptada!

Corajoso de Santo Antão, posso contar consigo?

Carlos Bentub

Economista