A Falácia do Desenvolvimento em Santo Antão

O presente artigo tem como objectivo principal analisar o modelo de desenvolvimento adotado por Cabo Verde nas últimas duas décadas, que beneficiou apenas três ilhas – Santiago, Sal e São Vicente – na primeira década, provocando um desnível significativo entre as restantes ilhas, mais visível agora na última década, onde este desnível só se fez crescer, comparativamente a nossa ilha Santa Antão.

Em primeiro lugar, é importante analisar as definições de “falácia e desenvolvimento”, onde se entende por “falácia” um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que se alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. (fonte: Wikipédia)

Do ponto de vista económico, segundo Shumpeter, o desenvolvimento é definido pela realização de novas combinações, ou seja, quando se tem um aumento de produção sem alterar a quantidade disponível de recursos.

Este conceito abrange os seguintes casos:

(1) A introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem.

(2) A introdução de um novo método de produção

(3) A abertura de um novo mercado

(4) A conquista de uma nova fonte de fornecimento de matéria-prima

(5) A realização de uma nova organização da qualquer indústria.

A noção fundamental de que a essência do desenvolvimento económico consiste em um emprego diferente dos serviços existentes de trabalho e terra, leva-nos para a afirmação de que a realização de novas combinações se dá através da retirada de serviços do trabalho e à terra de seus empregos anteriores. (fonte: José Luiz Carvalho: THE BUSINESS OF REGULATING THE ENVIRONMENT)

O leitor deve estar a dizer “o que isso terá a ver com a nossa ilha Santo Antão?”

Eis o porquê: desde criança oiço essa mesma história, que Santo Antão não tem onde investir, que o relevo da nossa ilha não ajuda para a captação de investimento, que não tem potenciais para um desenvolvimento forte, ”Sintonton tem só Rotcha”, e é por isso que chamo o nosso modelo de desenvolvimento de uma grande falácia, e justifica-se de seguinte forma:

– O Japão foi devastado na 2a Guerra Mundial com duas bombas atómicas, e assim como Santo Antão, o relevo do Japão é 90% montanhoso, e mesmo assim eles permaneceram por mais de 40 anos como a segunda potência do Mundo. Logo a desculpa de que Santo Antão não pode receber muitos investimentos devido ao seu relevo, sempre se mostrou ser uma grande FALÁCIA.

Porem é bom salientar, que o nosso destino é determinado pelas nossas accões e que não adianta ficarmos a espera daquilo que o Estado/Camâra estão ou podem fazer por nós, e sim começarmos a perguntar o que podemos fazer pela nossa ilha.

Vale dizer também que nunca é tarde e que ainda é tempo de colocarmos Santo Antão no mapa de Cabo Verde.

Janecas Fortes/ Economista

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Criado para relembrar, reabilitar, recuperar, redescobrir o nosso concelho da Ribeira Grande, Ilha da Santo Antão, Cabo Verde, este blogue terá como propósito enobrecer, por mérito próprio, aquele que nos viu nascer, crescer e tornar em mais um valor nacional, reconhecidos por prós, ignorados por contras. "Quanto maiores são as dificuldades a vencer, maior será a glória." Ver todos os artigos de plurim

4 responses to “A Falácia do Desenvolvimento em Santo Antão

  • Chiquinha

    Meu caro Janecas, o problema se S.Antão não é politico nem orográfico, é um problema de atraso mental das pessoas. Mas isso é um problema estrutural, que leva muitos e muitos anos a resolver.

  • Mnine buzod de tarrafal...

    Primeiramente felicito o meu caro “conterra”, AMIGO, colega de escola e de infância, pelo pensamento que resultou num artigo que nos interpela a todos,…. Minha terra, minha gente… chegou a hora de cedermos um pouco do nosso intelecto e meditarmos sobre aquilo que cada um de nós como santantonenses convictos e que sente filho dessa terra dos resignados/ conformados (nossos avós, pais, irmaos e amigos), e reflectirmos, sobre as causas de fundo daquilo que o nosso “conterra” denomina de uma “FALCIA DE DESENVOLVIMENTO DE SANTO ANTÃO…”. A este propósito, é preciso que as forças vivas tome consciência do que representa tal situação, para o desenvolvimento económico, da nossa ilha… logicamente, sendo eu um jurista estou limitado em questões relacionadas com economia, mas o meu contributo não passa meramente, por uma analise cientifica do problema, mas com um certo pragmatismo, em prol de evocar a si uma parte dessa responsabilidade de despertar as consciências, no sentido de assumirmos primeiramente, aquilo que considero um dever de cada santantonense, a minha relação com a ilha, não diverge de uma relação simétrica ao do filho para com os pais, querendo dizer que devemos ser mais do que santantonenses, mas sobretudo filhos dessa terra, que hoje nos parece uma mãe, sem condições para sustentar o seu filho, por isso tem de sair a procura de dias melhores, mesmo querendo ficar … Cientes que o Estado, pura e simplesmente, não pode solucionar em todo os nossos problemas, porém o problema de desenvolvimento económico regional não pode ignorar o comércio, a pecuária e a agricultura como pólos de desenvolvimento e de amparo às famílias (…) esses sectores devem merecer dos órgãos responsáveis pela política de desenvolvimento, as atenções e ajudas que se fazem necessárias.
    A dependência política e económica continuada poderá esclarecer em parte o subdesenvolvimento que assola a nossa ilha, pelas relações desiguais entre os órgãos do poder central e regional, pela dominação e concentração do capital financeiro nas “ilhas burguesas”, a falta de estímulo ao sector privado para fixação e investimento na ilha e consequentemente geração de emprego.
    O crescimento económico não depende simplesmente das formas denominadas institucionais e técnicas da produção e no modo de sua utilização, mas implica basicamente a política económica geral do Estado no sistema das interdependências. Quanto maior for o grau da subordinação, menor será sua possibilidade de crescimento.
    Portanto o combate, às assimetrias, as desigualdades de desenvolvimento e o debate sobre o êxodo e o desemprego, de entre outras dificuldades no processo de desenvolvimento, será uma conquista a alcançar acima de todas as paixões.

    Caro amigo muito obrigado por esta vereda, porque o destino esta aos nossos olhos…

    Fico comovido por não poder identificar-me, mas nem por isso deixo de dizer que sou filho de Santo Antão, la de tarrafal de puvoçon… um JURISTA atento a realidade da ilha… com vontade de se sacrificar por ela…

  • Anónimo

    Parabéns jovem, excelente.É preciso acreditar-mos em nós mesmo.
    Mas, a hora é de acção ,ja falamos demais, mãos á obra porque a tarefa é grande.

  • Anónimo

    Santo Antão, sempre teve a “Falácia” a nível de indicadores sociais, culturais, políticos e económicos… (visto pelos políticos), o que nota-se no fraco desenvolvimento da ilha.Vefica-se pelo decrêscimo da população dos três concelhos da ilha de acordo com o censo 2010. Devemos nós, como disseste e muito bem, fazer com que Santo Antão esteja no mapa de desenvolvimento.

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