Monthly Archives: Outubro 2011

E se isto tudo for verdade?!

Ao ver este video, desperta-se a seguinte curiosidade:

– O MCA (Millennium Challenge Account), de que nós (os Cabo-veridanos) gabamos de ser os únicos no mundo a receber pela 2ª vez o pacote de ajuda, por uma suposta boa governação do primeiro pacote, poderá ser um motivo de preocupação. Até corremos o risco de estar errados quanto aos fins e pretextos reais do MCA, não deixando de pensar no potencial que as nossas ilhas têm, sobretudo no que toca ao posicionamento estratégico em relação aos 3 continentes banhados pelo atlântico. Já pensaram por exemplo, o quanto importante seria uma base militar americana numa das nossas ilhas, como acontece com a base dos Açores, por exemplo? Um coisa eu sei… entrarias na linha de guerra, sem dúvida nenhuma.

Nós aqui no Plurim, não somos e nem queremos ser ingénuos.

Vejam o video e tirem as vossas próprias conclusões!

Plurim

Obrigado pela sugestão Feliciano Rosário!


Como eu vejo a Crise… (Délio Leite)

Para aqueles que convivem comigo, já não é novidade o facto de eu estar sempre a reclamar de alguma coisa deste mundo/sociedade consumista e sem valores.

Portanto, é desta forma que eu vejo as coisas.

Vivi até aos 18 anos em Santo Antão, na Vila da Ribeira Grande (ou cidade, ou vila, ou povoado, não me interessa, importo mais com as pessoas que lá vivem). Mudei para Lisboa para me formar e 10 anos depois, ainda aqui estou.

Sempre me dei bem com todos, desde os que amo, aos que poucos sentimentos me despertam. Se alguma vez desdenhei de alguém, ou esse alguém se sentiu “pouco” por alguma atitude minha, peço perdão, pois essa não era a minha intensão, com certeza. Também sou humano e estou sujeito a errar, mas, não uso esta desculpa de “ser humano” para constantemente errar e servir-se de escudo.

Por mais que tente, não consigo deixar de questionar a veracidade de quase tudo o que vejo, no que toca a “documentários”, “ajudas humanitárias”, “planos para sair da crise” (financeira é que não é de certeza absoluta), “fundos de apoio das grandes empresas”… Dou alguns exemplos:

1 – O Ecoponto em Portugal: pedem para, cuidadosamente, separar o lixo e, cuidadosamente, depositá-lo nos posto espalhados pelo país. Não o faço e digo porquê: Não ganho nada em fazê-lo, e quando digo eu, digo todos os que o fazem, excepto as empresas que depois os transformam em produtos. Comprar um recipiente preparado para o ecoponto, custa mais de 30€ nos hipermercados, reciclo sem receber e ainda compro produtos reciclados por ai, pagando por aquilo que reciclei. Um paradoxo não é? A desculpa de que estou a ajudar o ambiente, não cola, pois se colasse, um governo que consegue ver que reciclar é bom, consegue também ver que energias renováveis são, de longe, melhores que o petróleo por exemplo, mas nem por isso deixam de o comercializar, para não perderem os benefícios financeiros que o sistema oferece.

Se queres mesmo ajudar o ambiente, recicle sim, mas transforme tu mesmo o teu produto, ou entregue-o onde sabes que vai mesmo valer a pena o teu esforço!

Quando mudarem os fins, passo a fazer parte desta ideia que podia ser, mas, não é bonita.

2 – Morrem 2 crianças, por cada 10 kg de produtos mineiros colhidos para serem transformados em playsation e outras coisas do género. Aposto que a SONY (empresa que desenvolve a playsation) tem um fundo ou um gabinete de apoio social… só para disfarçar.

3 – Vou ao supermercado na época natalícia, e não é que aproveitam até esta época para tirarem proveito do “coitado” (do ignorante, do menos culto, do pobre…), com campanhas do tipo: “ARREDONDA” – se a tua compra for 9,99€ por exemplo, os 0,01€ são arredondados ao valor a pagar, e estes 0,01€ vão para um fundo de apoio criado por estas empresas, que, ironicamente pertencem aos homens mais ricos (financeiramente, claro), do país. Até ouvi dizer que ganha bom retorno (financeiro, claro) no IRS / IUR, quem se mete a ajudar o outro. É caso para dizer: “Meu Deus do céu…”

No Mundo em que vivo, já até me cansei de sair à noite e ver o mesmo desfile de figurinos, night by night, sempre igual. Já me cansei de ver disputas e mais disputas de “nada”. “Quem bebe e aguenta mais tempo em pé?”, “Quem está mais bem vestido(a)?”, “!Quem tem mais carros e, de preferência, mais caros”, “Quem é do Gang mais temido”?, “Quem faz a dança mais suja e mais perversa?”. Nos olhos dos jovens, isso é tudo normal, porque é da época.

Minha gente, isso tudo é fruto da sociedade consumista que vivemos. Tudo tem sido preparado há muito tempo, a lavagem cerebral começou há décadas atrás.

CRISE FINANCEIRA? Nem por isso… de VALORES? Ah Pois claro. Se não vejamos:

1 – Em Cabo Verde (Ilha de Santo Antão, em particular), quem nunca ouviu estas célebres frases: “prei en de c’açucar”, “farinha já cabá”, “ta cum senhor ta vendê cebola lá sim, bé la depressa antes des cabá”?  Mesmo assim, os políticos e os ditos “entendedores da matéria”, estão divididos quanto a saber se Cabo Verde está em crise ou não. Enquanto isto, Portugal que declarou estar em crise e até ajuda financeira do FMI recebe, quase nunca oiço frases parecidas. Vou ao supermercado, com muita convicção de lá encontrar o que procuro.

2 – Ah, esqueci-me que é cada vez mais difícil o português ser feliz (o cabo-verdiano está cada vez mais parecido), porque está mais complicado comprar o carro, a casa e meter lá dentro uma família, porque dá nas vistas e se projecta melhor na nossa sociedade, porque todos fazem o mesmo. Neste caso, Portugal está realmente em crise, compreendo (ironicamente, como é óbvio).

3 – Hoje, tenho até receio de dizer: “antigamente fazia-se assim, assado, cumprimentava-se as pessoas, respeitava-se os mais velhos, o próximo…” para não correr o risco de levar com uma resposta típica de quem acha que o mundo deve mudar em todos os aspectos, por ser consequência da evolução: “Tempo eh ôte môss, no ta na ôte época môss, txá de ser conservador!”. Pois é, ai mora o erro:

 Quem não sabe filtrar o “Bom” e o “Mau”, vai pelo “mais comum” e espere pela sorte!

4 – A cidade da Praia, capital de Cabo Verde, não tem luz, não tem água, tem violência gratuita, e, ironicamente, somos País de Desenvolvimento médio, pois, já nos vêm com outros olhos. Mas, que olhos são estes? Olhos de que já podemos entrar no grupo dos tais e usufruir dos quais, e mesmo assim ver o aumento progressivo de problemas graves no País?

Com estes olhos, prefiro ver o meu POBRE Cabo Verde (financeiramente, claro), mas RIQUÍSSIMO em Valores, humano e cheio de morabeza, que todos nós gostamos e sempre admiramos.

5 – Enquanto isso, o Africano, o Cabo-verdiano, Santantonense, teima em ser cómodo, usando destas citações, o pão nosso de cada dia:

“Ame, já nô ta custmod, no te bé ta safá”

“Ame, ess mine dava ta contá kêl, por isso…”

“Ame, es dzê’m que en ne possível, por isso, jam desisti”

“kêl senhor(a) lá ê chei delas, êl eh um de kej boss dess lugar… Mi nunca hm te bé pode ser moda ele”

Pois é, não sejas! Seja tu mesmo, grande sim, mas a tua maneira e deixe de invejar o outro!

Se eu te der exemplos daqueles que realmente não são porque não conseguem, pensarias diferente com certeza (vê o exemplo por si mesmo, não podes esperar que sempre alguém te vai surgir, do nada, e te mostrará o caminho!).

No outro dia, em São Nicolau, reclamava com o morador do Tarrafal, o factor transporte/ligação com as outras ilhas. Na minha óptica, devia ter um barco que fazia a travessia diária para, pelo menos, um dos principais centros comerciais de Cabo Verde.

Sabem o que foi que ele me disse?:

Ah não, tud dia não, el tava bá vazio tud dia”.

Como é que ele quer que vá cheio todos os dias, se o seu pensamento pequeno e sem perspectivas de crescimento da sua Ilha, não o permite ver que, se o barco for vazio durante 6 meses, mas mesmo assim manter o fluxo, mais investimentos surgirão, mais pessoas regressam à casa (em 10 anos, em vez de aumentar, a população diminuiu drasticamente naquela Ilha e nos demais, com excepção de Santiago, São Vicente, Sal, como é óbvio) e consequentemente, menos vazias serão as viagens diárias e consequentemente, menos isolados estarão?

Com uma única viagem semanal para São Vicente e Santiago, respectivamente,  eles ainda respondem: “Ah, já foi pior“, em vez de dizer: “Hm crê melhor e não menos pior

Pergunta que não quer calar:

PREFERES TER BOA PINTA E NÃO TER SOSSEGO, OU SER “FEIO” E SER FELIZ?

Por Délio Leite (Déy)

Ontem: “o que é TV?” / Amanhã: “O que é arroz?”


A Falácia do Desenvolvimento em Santo Antão

O presente artigo tem como objectivo principal analisar o modelo de desenvolvimento adotado por Cabo Verde nas últimas duas décadas, que beneficiou apenas três ilhas – Santiago, Sal e São Vicente – na primeira década, provocando um desnível significativo entre as restantes ilhas, mais visível agora na última década, onde este desnível só se fez crescer, comparativamente a nossa ilha Santa Antão.

Em primeiro lugar, é importante analisar as definições de “falácia e desenvolvimento”, onde se entende por “falácia” um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que se alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. (fonte: Wikipédia)

Do ponto de vista económico, segundo Shumpeter, o desenvolvimento é definido pela realização de novas combinações, ou seja, quando se tem um aumento de produção sem alterar a quantidade disponível de recursos.

Este conceito abrange os seguintes casos:

(1) A introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem.

(2) A introdução de um novo método de produção

(3) A abertura de um novo mercado

(4) A conquista de uma nova fonte de fornecimento de matéria-prima

(5) A realização de uma nova organização da qualquer indústria.

A noção fundamental de que a essência do desenvolvimento económico consiste em um emprego diferente dos serviços existentes de trabalho e terra, leva-nos para a afirmação de que a realização de novas combinações se dá através da retirada de serviços do trabalho e à terra de seus empregos anteriores. (fonte: José Luiz Carvalho: THE BUSINESS OF REGULATING THE ENVIRONMENT)

O leitor deve estar a dizer “o que isso terá a ver com a nossa ilha Santo Antão?”

Eis o porquê: desde criança oiço essa mesma história, que Santo Antão não tem onde investir, que o relevo da nossa ilha não ajuda para a captação de investimento, que não tem potenciais para um desenvolvimento forte, ”Sintonton tem só Rotcha”, e é por isso que chamo o nosso modelo de desenvolvimento de uma grande falácia, e justifica-se de seguinte forma:

– O Japão foi devastado na 2a Guerra Mundial com duas bombas atómicas, e assim como Santo Antão, o relevo do Japão é 90% montanhoso, e mesmo assim eles permaneceram por mais de 40 anos como a segunda potência do Mundo. Logo a desculpa de que Santo Antão não pode receber muitos investimentos devido ao seu relevo, sempre se mostrou ser uma grande FALÁCIA.

Porem é bom salientar, que o nosso destino é determinado pelas nossas accões e que não adianta ficarmos a espera daquilo que o Estado/Camâra estão ou podem fazer por nós, e sim começarmos a perguntar o que podemos fazer pela nossa ilha.

Vale dizer também que nunca é tarde e que ainda é tempo de colocarmos Santo Antão no mapa de Cabo Verde.

Janecas Fortes/ Economista


Mensagem Inspiradora

Caros Blogeiros, Amigos e Seguidores do plurim,

Nos tempos que vivemos hoje, onde os valores de Carácter, Humanismo, Amizade, Companheirismo estão sendo virados do avesso, é muito importante que tenhamos sempre boas influências, não se deixando influenciar ou impressionar por coisas fúteis. É por isso que resolvemos postar esse video em que o famoso comediante Charles Chaplin (um dos melhores de todos os tempos) faz um discurso que, no nosso entender, deveria ser exposto para a nossa geração de Políticos, que devido a ganância de poder, estão perdendo o foco e os valores acima referidos.

Para activar a legenda basta clicar no lado direito do video em cc.

POWER TO THE PEOPLE.

Att.

Plurim


…Mas o que é a Política?

Muitas pessoas na nossa sociedade encaram a Política como sendo uma coisa errada, há um certo preconceito, eu diria até a encaram como um “pecado”. Por isso, resolvi debruçar sobre esse tema tão importante para um país, como também, para a sociedade civil.

Política é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. A aplicação dessa arte nos negócios internos da nação é a Política Interna ou aos negócios externos é a Política Externa. Nos países com regimes democráticos, como Cabo Verde, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.

O termo política deriva do grego antigo “Politéia” que indicava todos os procedimentos relativos à Polís ou Cidade-Estado (Atenas). Como sendo uma ciência social, trata dos assuntos que dizem respeito à forma de organização da sociedade, trata das relações dos homens na comunidade em que estão inseridas, preza para a coletividade, baseado numa postura normativa. Por isso, nas palavras de Aristóteles, “O homem é um animal político”.

Podemos indicar algumas acepções ao conceito Política:

  • No sentido comum, compreende a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores;
  • Na concepção erudita, política “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem” (Hobbes) ou “o conjunto dos meios que permitem alcançar efeitos desejados” (Russel) ou “a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo”, que é a definição dada por Maquiavel em “O Principe”.
  • Política pode ser ainda, a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: Política financeira (fiscal e monetária), política educacional, política social, política comercial, etc…
  • Na concepção moderna, é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil.

A política, como forma de atividade ou práxis humana, está intrinsecamente ligada ao poder. O poder político é o poder do homem sobre o homem, pois “consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem” (Hobbes) ou “consiste num conjunto de meios que permitem alcançar os efeitos desejados” (Russel).

A Concepção Aristotélica distingue política e poder baseado no interesse de quem exerce o poder: o poder paterno se exerce pelo interesse dos filhos; o despótico, pelo interesse do senhor; o político, pelo interesse de quem governa e quem é governado. Na Concepção Jus naturalista essa distinção baseia-se na legitimação: o fundamento do poder paterno é a natureza, do poder despótico o castigo por um delito cometido, do poder civil o consenso.

A hipótese Jus Naturalista abstrata adquire profundidade histórica na teoria de Estado de Marx e de Engels, segundo o qual a sociedade é dividida em classes antagônicas e as instituições têm a função primordial de permitir à classe dominante manter seu domínio. Mas, esse objetivo só pode ser alcançado na estrutura do antagonismo de classes pelo controle eficaz do monopólio da força; é por isso que, cada Estado é, e não pode deixar de ser, uma ditadura.

Podemos distinguir três grandes tipos de poder:

  • Poder Econômico – é o que se vale da posse de certos bens, necessários ou considerados como tais, numa situação de necessidade para controlar aqueles que não os possuem. Consiste também na realização de um certo tipo de trabalho. A posse dos meios de produção é uma enorme fonte de poder econômico para aqueles que os têm em relação a aqueles que não os têm: o poder do chefe de uma empresa deriva da possibilidade que a posse dos meios de produção lhe oferece o poder de comprar a força de trabalho a troco de um salário. Portanto, quem possui abundância de bens é capaz de determinar o comportamento de quem não os têm pela promessa de concessão de vantagens.
  • Poder Ideológico – se baseia na influência que as idéias da pessoa investida de autoridade exerce sobre a conduta dos demais: deste tipo de condicionamento nasce a importância social daqueles que sabem, quer os sacerdotes das sociedades arcaicas, quer os intelectuais ou cientistas das sociedades evoluídas. É por eles, pelos valores que defendem ou pelos conhecimentos que comunicam que ocorre a socialização necessária à coesão do grupo. Portanto, o poder dos intelectuais e cientistas emerge na modernidade quando as ciências ganham um estatuto preponderante na vida política da sociedade, influenciando enormemente o comportamento das pessoas.
  • Poder político – fundamenta na posse dos instrumentos com os quais se exerce a força física; é o poder coator no sentido mais restrito da palavra. A possibilidade de recorrer à força distingue o poder político das outras formas de poder. Portanto, a característica mais notável é que, o poder político, detém a exclusividade do uso da força em relação à totalidade dos grupos sob sua influência.

A política, quando bem feita ou exercida, constitui um dos principais instrumentos para o progresso econômico e social. Por essa razão, vamos deixar de lado esse preconceito principalmente agora que somos um país de desenvolvimento médio (PDM). Precisamos de grandes idéias, precisamos de políticas certas aos problemas e desafios que a nossa sociedade enfrenta. Mas, para isso, precisamos mudar a nossa mentalidade, o nosso modo de pensar.

Aos nossos governantes (local e nacional), exijo mais transparência no exercício de vossas funções, mais compromisso com a sociedade civil, mais seriedade na execução dos projetos financiados com impostos pagos pelo cidadão ativo cabo-verdiano. E vai um conselho: quando o barato sai caro, alguém tem de pagar a conta… E a corda arrebenta sempre pelo lado mais fraco, que é o povo. E o povo detém o Poder de Voto…

Carlos Bentub (Economista)