À ti, jovem empreendedor de Ribeira Grande!

Muitos falam sobre o jovem empreendedor como se isso fosse um fenômeno contemporâneo. Mas se analisarmos nossa história evolutiva, veremos que ele é, na verdade, um dos personagens mais antigos da nossa espécie – além de fundamental para que atingíssemos o atual grau de desenvolvimento da humanidade.

No nosso ambiente ancestral, grupos humanos se organizavam em bandos de caçadores e coletores que atuavam de maneira organizada para obter o sustento da comunidade. Mas de nada adiantava um grande número de bons manejadores de lanças se não houvesse um indivíduo com habilidade para coordenar uma estratégia eficiente para cercar a presa. Foi precisamente aí que surgiu a necessidade de um sujeito que fosse bom na coordenação da caçada (ou de uma eficiente operação de coleta), independente de sua própria habilidade na atividade de caçar ou coletar propriamente dita.

Muito tempo depois, inventamos a agricultura, o comércio, a escrita, as leis… Continuamos, entretanto, a ter a necessidade de indivíduos que liderassem empreendimentos análogos aos que praticávamos há dezenas de milhares de anos. No atual grau de desenvolvimento, centrado no sistema capitalista de livre iniciativa, esse sujeito é o empreendedor – que, a priori, pode ser jovem ou velho, tanto faz. Acontece que, já no ambiente ancestral, havia uma diferença sutil entre os líderes de caçadas mais novos ou mais velhos, que tem paralelo entre os jovens empreendedores e aqueles já estabelecidos há muito tempo.

A diferença entre jovens e velhos empreendedores não se restringe ao número de fios de cabelo branco na cabeça, mas principalmente ao comportamento de um e de outro. Um jovem empreendedor, assim como um jovem líder de caçadores, é um sujeito mais impetuoso e disposto a assumir ricos e a inovar. O empreendedor mais velho, por sua vez, tem um comportamento mais seguro e menor propensão ao risco. E uma sociedade saudável terá estes dois tipos de lideranças empresariais convivendo de modo a obter um equilíbrio que maximize a eficiência total do sistema.

Deves estar a perguntar o que tudo isso tem haver contigo. Pois é meu caro, diante das perspectivas econômicas que vivemos hoje no nosso país, onde 4 em cada 10 jovens estão sem emprego (Dados do INE), chegou a hora de você, jovem de Ribeira Grande, descobrir o espírito empreendedor que há dentro de si. Criatividade e idéias  para tal não faltam.

Deves estar também a dizer, “Se as autoridades locais e centrais não me dão uma oportunidade, como vou ser empreendedor?”. Pois é, isso é uma das minhas críticas à política empreendedora do nosso país, onde o Estado é o “guru” da economia, mas cabe a você correr atrás dos meios (financiamento, estudo de mercado e do produto, investimento, estrutura de custos, legislação, etc.) e acreditar no seu potencial para atingir a sua meta. É claro que terás de enfrentar obstáculos como estrangulamentos estruturais e conjunturais de nossa Economia, mas tudo dependerá, principalmente, do seu empenho nesse processo.

Como deves saber Santo Antão é hoje uma das ilhas mais pobres do arquipélago, por haver uma escassez de grandes projetos de investimento na região. Quem sabe agora não é um grande momento de colocares em prática, as tuas idéias e assim dar um “up” na economia regional do concelho e da ilha, de um modo geral?  Pense nisso!

Adaptando a afirmação de Jhon F. Kennedy (ex-presidente norte-americano) à realidade caboverdeana, “Não digamos apenas o que Cabo Verde deve fazer por nós, mas também, o que podemos e devemos fazer por ele”.

Carlos Bentub

Economista

About plurim

Criado para relembrar, reabilitar, recuperar, redescobrir o nosso concelho da Ribeira Grande, Ilha da Santo Antão, Cabo Verde, este blogue terá como propósito enobrecer, por mérito próprio, aquele que nos viu nascer, crescer e tornar em mais um valor nacional, reconhecidos por prós, ignorados por contras. "Quanto maiores são as dificuldades a vencer, maior será a glória." Ver todos os artigos de plurim

3 responses to “À ti, jovem empreendedor de Ribeira Grande!

  • Carlos Bentub

    Caro Carlos Fortes,
    Muito obrigado pelas lindas palavras a respeito do meu trabalho e dá minha pessoa. Concerteza isso me dará mais estímulo para continuar a desenvolver minhas idéias para o benefício do nosso país.
    Em relação a minha indicacão sobre o estado de o “Guru” de nossa Economia quiz incitar que ele tem caráter muito regulador e isso muitas vezes funciona como um freio ao funcionamento das nossas empresas. A constituição demanda que o Estado deve prover todos os meios necessários para garantir a criação e funcionamento de empresas, como agentes agregadores do produto nacional. Mas na prática isso não acontece. Isto pq além de ser muito burocrático, temos uma carga tributária elevada (cerca de 39% do PIB, salvo erro) que torna oneroso manter uma empresa no nosso país. Consequencia disso são as falencias e sobretudo, aumento na taxa de desemprego. Portanto, deve haver uma mudança de postura nesse sentido pois, O Estado,sozinho, não consegue garantir emprego para toda a população economicamente ativa. Esses dois agentes tem que cooperar os esforços afim de melhorar os problemas estruturais e conjunturais de nossa Economia.
    Cordialmente

    Carlos Bentub
    Economista

  • Carlos Fortes

    Caro amigo e economista Carlos Bentub: antes de mais, felicitações pelo científico artigo, ora descrito nesse blogue.
    Dá para entender que, efectivamente, percebes da matéria económica, mesmo transformando-o em miúdos para que os mais leigos _ como eu_ possam “apreender” mínimamente o seu conteúdo.
    Entretanto _ salvo o devido respeito pela opinião contrária _ não “subscrevo” a teoria de que “o Estado é o guru da Economia caboverdeana”, pelo simples facto de que, como sabes muito bem, a nossa Constituição,” …..O Estado apoia os agentes económicos nacionais na sua relação com o resto do mundo e, de modo especial, os agentes e actividades que contribuam positivamente para a inserção dinâmica de Cabo Verde no sistema económico mundial ….” Parte III _ Organização Económica e Financeira _ artº 4.
    Isso quer dizer, na minha modesta opinião, que o Estado deve incentivar, apoiar e criar as condições básicas para o incremento do empreendorismo e da empresa no nosso País. Agora, se o Estado não está a fazer isso, na prática ou se o faz, fá-lo com alguma deficiência _ excesso de burocracia, demasiada informação “solta” não consistente, etc _ isso é outra história. Neste caso, corroboro à 100% contigo quando sugeres ao (s) Jovem (s), em particular para não ficar só à espera do Poder Público: que DEVEM CORRER ATRÁS DOS SEUS SONHOS,dos meios necessários à concretização das suas aspirações.!!!!! ABSOLUTAMENTE correcto!!!!!
    Alás, para terminar, a frase do R: Kennedy, que introduziste no teu comentário, fá-lo-ei, também parafraseando o seguinte:
    NÃO DEVEIS PROCURAR SABER PORQUE O ESTADO NÃO FAZ NADA POR VÓS MAS, SIM O QUE PODEREIS FAZER _ EM PARCERIA COM O ESTADO _ PARA MELHORAR O DESENVOLVIMENTO DO DE CABO VERDE???!!!.
    Continue sempre a emitir a sua opinião crítica construtiva _ nesse blog _ e não só, à bem do desenvolvimento sustentável e harmonioso do nosso País, em geral, de S. Antáo, em particular e da Ribeira Grande, em especial.
    Abraços.
    Carlos Fortes

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