Monthly Archives: Fevereiro 2011

Estradas vs Barragens. Eis a questão! (sondagem)

Vote (no final deste post) naquele que, para si, corresponda a prioridade de investimento no nosso Concelho/Ilha, tendo em conta a importância destas infraestruturas no nosso desenvolvimento. Não deixe de comentar a sua opção e contribuir assim para o futuro do Concelho (“várias cabeças pensam melhor do que poucas cabeças“)

Deixamos, no entanto, uma pequena ajuda:

Importância das Estradas

– Deslocamento facilitado entre localidades; redução do tempo de percurso; racionalidade e eficiência das estruturas urbanas e rurais, melhorando as relações de troca e serviços que mantêm as respectivas vivências; poupança na manutenção dos veículos quando a estrada é substituída por outra em piores condições.

Importância das Barragens

– Produção de energias renováveis; armazenamento de grandes quantidades de água e consequente abastecimentos de grandes áreas rurais e urbanas; rega de extensas áreas agrícolas e consequente melhoria no abastecimento alimentar; controle de grandes chuvas e consequentes cheias,  protegendo até mesmo, estradas no enfiamento das passagens das águas destas cheias, evitando grandes despesas de manutenção rodoviária; fomentar a prática de desportos náuticos, actividades de recreio e lazer ou mesmo construção de unidades hoteleiras.

Estrada R. Grande Danficiada pelas Cheias

Estrada R. da Torre danificada pelas cheias


Barragem do Poilao, Santiago

Barragem do Poilao, Santiago

Quantidade de água que vai para o Mar_Ribeira Grande

Quantidade de água que vai para o Mar_R. Grande

 

Obrigado pela participação,

Plurim


Entrevista ao Presidente da Associação de Basquetebol de Santo Antão – Adelino Fortes

Adelino Rodrigues Fortes

O “plurim” entrevistou o recém-nomeado para o cargo de presidente da Associação Regional de Basquetebol de Santo Antão, Adelino Rodrigues Fortes, da qual deixamos aqui para os nossos leitores analisarem e comentarem.

Plurim – Quem é Adelino Rodrigues Fortes?

Adelino Rodrigues Fortes – Antes de mais, boa tarde, obrigado pela convite e os meus parabéns pelo blogue, por aquilo que pretende contribuir na evolução da nossa ilha.

Portanto, sou Recém-Licenciado em Design no Brasil, amante do basquetebol e pertencente a dita “geração de ouro” deste desporto nessa Ilha.

P – Como e quando foi eleito Presidente da Associação?

A.R.F. – Foi durante assembleia realizada no concelho do Paúl, no dia 18 de Dezembro, se não estou em erro, mas ainda não assumi o cargo porque aguardo a prestação das contas da anterior direcção.

P – Como se sente em relação ao cargo que agora ocupa?

A.R.F. – Um pouco pessimista.

P – Porquê?

A.R.F. – Em primeiro Lugar, não há um fundo de manejo, câmaras e federação não ajudam como deveriam. Exemplo disso foi um cheque passado pela federação Cabo-verdiana de Basquetebol, que até hoje não foi levantada, por estar sem fundo. A federação distribui subsídios para o transporte sem ter em conta a diferente realidade das ilha, pois, aqui em Santo Antão, deslocar-se entre o Porto Novo e a Ribeira Grande (36km de montanhas) são 7.000$00 de frete. A uma enorme discrepância entre ilhas, pois aqui não temos transportes públicos, não pagamos 40$00 de autocarro para nos deslocarmos, ou seja, 1000$00 em São Vicente dá, em média, 25 bilhetes. Aqui, 1/7 do frete, numa Hiace com 15 lugares.

P – Porque é que as equipas não correm atrás deste subsídio de transporte, por exemplo?

A.R.F. – Este já vem sendo feito, o problema está em arranjar quem os dê esse patrocínio. Infelizmente, parece que ninguém quer ajudar. Organizamos uma noite da Discoteca S’rré Negra, com o lucro conseguimos comprar 1 bola e 2 redes.

P – Não pensam em incentivar as pessoas e atletas a criarem uma escola de basquete na vila, como já foi feito no Porto Novo, por exemplo?

A.R.F – Teria que ser antes o incentivo da Direcção Geral do Desporto, porque lidar com crianças, sensíveis, frágeis, onde teríamos que ter preparadores físicos qualificados, para não corrermos o risco de provocar lesões graves nos filhos dos outros, teríamos também que ter em conta questões de ordem psicológica, entre outros problemas que a nossa auto-aprendizagem pudesse por em risco a saúde dos demais.

P – Os professores de Educação Física, não podia assumir esta parte?

A.R.F. – Poder podem, mas cada um é que sabe de si. Temos que ter também em conta que hoje, assumir qualquer coisa que seja, terá que ser remunerada, pois, nos dias de hoje e estando as coisas como estão, ninguém quer levar desaforo para casa, sem ser pago por isso. Dificilmente encontramos professores ou qualquer outro cidadão disposto a se sacrificar em condições como estas. Não há incentivos, não há materiais desportivos. Só para terem uma ideia, quando treinava a equipa do Rosariense, na Escola Secundária Suzete Delgado, antes do treino, púnhamos a procura de pedaços de Giz perto das janelas das salas de aula, para marcar no chão um cone, por exemplo.

P – Antigamente, pagava-se para pertencer a escola de futebol do professor Arlindo “Fodof”. Não seria uma hipótese?

A.R.F – Ao contrário do futebol, nós temos um défice de atletas, o que não acontece com o desporto rei. O nosso objectivo é “ganhar clientes”, digamos assim.

P – O que têm feito para “ganhar clientes”?

A.R.F – Eu e um amigo meu, Danilo Lima, também praticante da modalidade, temos um projecto em andamento, já com os pedidos de patrocínio feitos, de nome “Liprobasket” (Saiba mais clicando aqui)

P – Criar programas que incentivassem os pais a inscreverem os filhos nas vossas escolas e pagarem por isso, não seria um caminho. Como por exemplo, explicações, só quem tem boas notas pode treinar, incentivos escolares, amizades, ensinamento vários, que não apenas da modalidade…?

A.R.F – Como já tinha dito, isso não depende só de nós. Dependerá de voluntários disposto a sacrificar juntamente connosco, já que não há verbas para remunerar ninguém. Ainda por cima, da geração de 83/84, a dita “geração de ouro” do basquetebol em Santo Antão, o último a sair da ilha foi no ano de 2005. Todos foram estudar fora do país. Não ficou ninguém com esse tal espírito de sacrifício. Até 2009, aquando do regresso do primeiro a ilha, só se viu o basquetebol na Vila ir desaparecendo consideravelmente. A partir de 2009, começou-se a ver uma luz no fundo do túnel, pelo menos aqui na Ribeira Grande. Hoje, como o nosso regresso, queremos massificar o basquetebol na Ilha, de forma a não corrermos o risco de cair no mesmo erro no futuro e dar assim continuidade ao desenvolvimento desta modalidade.

P – Fala-nos um pouco desta geração 83/84!

Há quem possa falar melhor desta geração do que eu. Não quero correr o risco de não mencionar muitas coisas, porque quando apareceu o basquete a este nível, eu tinha apenas 13 anos. (Clique aqui se quer saber mais sobre esta Geração)

P – O que sentiste quando leste esta reportagem, no blogue do Porto Novo Basquetebol?

A.R.F. – Prefiro não comentar.

P – Porquê?

A.R.F. – Porque acho que deve-se respeitar o passado, de forma a unirmos todos os concelhos em prol desta modalidade, caso contrário, nada feito.

P – O que explica tanto sucesso e consequente abandono por partes das autoridades competentes?

A.R.F. – Além de não se ter dado continuidade a escola que se tinha criado, por não ter aparecido pessoas com o mesmo entusiasmo que nós, não somos do desporto rei.

P – E o prometido e já financiado pavilhão, há 10 anos atrás?

A.R.F. – A Chuva levou a primeira pedra (risos)

P – E aquele que foi feito em Ponta do Sol?

A.R.F. – Não foi um pavilhão e sim um recinto, mas a chuva levou as pedras todas (risos)

P – Qual o futuro do Basquetebol nesta ilha, tendo em conta todos os problemas aqui relatados?

A.R.F. – É bastante complicado. Eu tomei esta decisão de me candidatar a este cargo, a base da emoção e também porque não concordava com muita coisa que andava a ser feito pela anterior direcção.

A nossa juventude abusa do álcool. Há alturas em que se sente o hálito a álcool durante dos jogos. Antes jogavamos com vontade, hoje poucos fazem isso.

P – Mas antes haviam incentivos, como o Mike (treinador Americano), Jogos escolares, competições fora da Ilha. Isso não os pode estar a afectar? Quais as dificuldades do basquetebol vingar em Santo Antão?

A.R.F. – Os Professores não colaboram, não temos treinadores qualificados, câmaras e federação não colaboram… assim é difícil. Não há um espaço para praticarmos, tanto no Porto Novo, como aqui na Ribeira Grande. Dependemos da generosidade dos dirigentes da Escola Secundária Suzete Delgado, poucas pessoas interessadas em patrocinar, enfim, é um sacrifício enorme.

P – Para terminar, pedimos que enumere as metas a alcançar no seu mandato de 2 anos!

A.R.F. – 1 – O campeonato regional conta com apenas 3 equipas. Queremos 4. Não pensamos numa 5ª equipa, devido aos custos.

2 – Duas formações para árbitros, Duas formações para treinadores e workshops  vários a nível da ilha.

3 – Realização do “Liprobasket” a nível regional.

4 – Muito trabalho

P – Adelino, obrigado pela sua colaboração. Esperamos que o nosso povo seja mais solidário e vos ajude nesta caminhada, que já deu provas de ter asas para atingir grandes patamares a nível nacional. Um bem-haja e boa sorte no seu mandato.

Plurim, 29 de Janeiro de 11


Bomba Basketball Team (Geração de ouro)

Falar desta geração (BOMBA) é falar da melhor geração de sempre do basquetebol em Santo Antão.

Começou com os atletas que participaram dos jogos escolares de Cabo Verde em 1998, dos quais ficaram em 2º lugar, tendo sido superados apenas pelo liceu da Várzea (Praia), em São Nicolau. Esta equipa foi treinada pelo Mike, norte-americano (corpo da paz) que leccionava Inglês no então Liceu da Ribeira Grande, hoje E. S. Suzete Delgado, que também jogou em competições internas da universidade Duke, nos estados unidos. Aprenderam muito com ele e sem dúvida o nosso basquete deve-se muito a ele. Uma parte foi de forma indirecta, porque acabaram por aprender ensinamentos do Mike através dos seus colegas mais velhos.

É bom realçar que, este título alcançado, foi o primeiro troféu trazido para a Ilha, em todas as modalidades, o que é uma honra para o desporto da ilha. Desta geração destacam-se o Wagner Rivera (Wagú), o Délio Leite (Déy), o Danilo Lima (Giggs) e o José Pedro (Zézé).

No ano seguinte, com o mesmo treinador, venceram a competição em Assomada, Ilha de Santiago. Já com o pessoal de 84, dos quais destacam-se o Janecas Fortes (Djims), o Valter Fortes (Vatik), o Fábio Fortes (Faby), o Orlando Luz (Tio) e o Jandir Pires (Pires).

Já no ano 2000, sem o Mike, com o Déy e o Wagú a passar a idade daquele escalão, o Déy assumiu as funções de treinador, com apenas 17 anos, porque não havia ninguém disponível, caso contrário, teriam que por um “stop” no bom caminho até ali alcançado. Esta equipa já contava com mais 4 atletas, como sendo o Adelino Fortes (Snake), o Eldon Leocádio (Edly), o Noel Leocádio e o António Cruz (Tó).

Na última semana de treino, ficaram a saber que não poderiam participar com um treinador/aluno, o que fez com que, outro treinador/professor tivesse aproveitado do excelente trabalho realizado pelo colega. Foram para a Praia, alcançaram o 2º Lugar, mesmo tendo eles enfrentado muitas divergências com o treinador, nomeadamente, o facto de ter colocado o Tio no banco dos suplentes, o melhor marcador da competição naquele ano. Acreditavam que, se tivesse sido com o Déy (pelo menos teriam sido derrotados com dignidade), as coisas teriam corrido de outra maneira. De qualquer das formas, mais 1 troféu para Santo Antão. Em 3 anos consecutivos, 4 troféus para Santo Antão, sendo o 4º ganho pelos jovens de futsal do Paúl que ficaram no 2º lugar na Assomada.

Tudo isso, sem nunca terem entrado em nenhuma competição séria, além dos jogos escolares. A nossa zona tinha 3 equipas na altura, entre os quais, nós (Bomba), Penha de frança e Placa. Nunca perderam com nenhuma delas, nem mesmo como a equipa do Porto Novo, da qual participaram em vários torneios na ilha.

Em 2001, entraram no primeiro campeonato nacional da história do Basquete Santantonense, mas, por falta de treino, treinador (fomos treinados pelo Déy, que também era jogador), dirigentes, enfim, sem nada que nos pudesse dar alguma garantia de vitória, acabaram por perder todos os jogos. Tempo antes, a equipa tinha organizado um torneio em São Vicente, com as equipas Juniores da ilha, onde acabaram por vencer o primeiro jogo contra os Cruzeiros (2º Classificado do campeonato de S.V. na altura), mas perderam as 2 restantes partidas (3 dias seguidos de competição), porque só tinham pernas apenas para 1 partida por semana, tendo mesmo o Déy não jogado o último jogo por lesão muscular. O João Gomes – Betinho (melhor basquetebolista Cabo-verdiano da actualidade), fazia parte da equipa que venceu o torneio – Académica.

Realça-se também que, o Wagú chegou a jogar na equipa Juniores dos Cruzeiros, com apenas 15 anos, com 1 único treino na equipa e logo a titular, equipa essa onde também jogava o Rodrigo Mascarenhas, hoje atleta do Benfica de Portugal. Wagú foi o único jogador com esta idade a jogar naquela equipa na altura. O Tio, seguiu-lhe as pegadas e foi convidado pela equipa da Académica, onde jogou e foi campeão de São Vicente (sempre a titular) e vice-campeão de Cabo Verde. O Janecas venceu um torneio de Rua no Rio de Janeiro, onde estuda economia, tendo sido noticiado nos jornais de Cabo Verde tal proeza. Jogou também na selecção de jogadores de basquete de rua do estado do Rio de Janeiro, tendo ficado na 2ª posição da LIBRA (Liga de basquete de rua), em todo o Brasil (Para chegar a esta fase, teve que passar na 1º Posição da Região do Rio de Janeiro), além de ter participado no jogo com os norte-americanos da HARLEM GLOBETROTTERS, no Maracananzinho (pavilhão mais importante do basquete Brasileiro). O Déy e o Tio chegaram a representar a selecção de Cabo-verdianos em Lisboa, nos encontros estudantis. O Déy e o Wagú também representaram a equipa de Aveiro no AECAV. O Snake foi vice-campeão em 2008 da LUFO (Liga Urbana de Fortaleza de Basquete de Rua) e 3º classificado do campeonato universitário brasileiro. O Vatik pertenceu a equipa que ganhou em 2010 o 1º lugar no Campeonato Regional de Basquete de Rua, em Caxias do Sul, também no Brasil, organizado pela ABACS (Associação de Basquete de Caxias do Sul).

Não se poder deixar de destacar a pessoa do Anibal Miranda (Nibinha), que também teve e tem um papel importante no basquete da Ilha, que, apensar de não ter sido um dos contemplados pelos ensinamentos do Mike, por pertencer a uma geração mais velha, é, sem dúvida, um jogador que trouxe brilho e qualidade ao basquete da Ribeira Grande.

Por fim, não se poderia deixar de destacar também, os grandes exemplos de Hernany Pinto (Natcha) e Pedro Rocha (Pirass), porque apesar de serem os mais novos da equipa, de não terem sido campeões, não terem participado em competições, não terem ensinamentos do Mike, foram perseverantes, trabalhadores, empenhados e hoje atingiram o nível que muitos gostariam de ter atingido.

Portanto, esta geração, já está quase toda de volta à casa (Giggs, Snake, Faby, Vatik, Tó, Natcha). Dentro em breve, contam com o Janecas, o Déy e o Nibinha, voltando assim a garantir o verdadeiro brilho do tempo Luminosos do Basquete de Santo Antão.

“Sonhamos todos os dias, com os dias de glória no basquetebol de Santo Antão”.

Bomba Basketball Team




Perdeu ou não perdeu, ganhou ou não ganhou, marimbou ou não marimbou?

Tendo em conta o apuramento provisório dos dados da DGAPE, deixo aqui no Plurim, algumas contas que fiz, em relação a estas eleições, às que passaram e às que estão por vir.

Portanto, sabendo que a população total dos Cabo-verdianos é de aproximadamente 1.290.000 habitantes, onde 800.000 estão na diáspora e os restantes 490.000 em Cabo Verde eis os resultados que consegui apurar:

Inscritos/recenseados 2010/2011:

Nacional – inscritos 264.198, mas votaram apenas 176.653 (66%) – 87.545 pessoas inscritas não votaram em Cabo Verde.

Diáspora – inscritos 34.364, mas votaram apenas 12.585 (36%) – 21.779 pessoas inscritas na diáspora, também não votaram. Longe da metade. O Pior é que, a meta da CNE em Portugal, por exemplo, era recensear 9.000 pessoas (nove mil), num universo de 100.000 (cem mil) cabo-verdianos neste país (10% minha gente). Parece que o trabalho de casa não tem sido feito.

No total – Houve 298.562 inscritos, votando apenas 189238 (63%)

No que toca a diáspora, não me venham falar de condições financeiras, porque é das mais puras inverdades. Fui recenseador em Lisboa nesta época eleitoral e aquilo que presenciei, a respeito do nível de incompetência da comissão, é lamentável. Só para terem um pequena ideia, os recenseadores tomavam conhecimento do local do recenseamento, apenas na véspera. Imaginem então, quem ia se recensear? Daqueles que se recensearam, uma pequena minoria foi por decisão própria, a outra parte foi porque os partidos políticos (MPD e PAICV) tinham aqui pessoas, especialmente preparada e equipadas, para levar aos postos quantos militantes e simpatizantes conseguissem. Num único dia consegui recensear (eu e meu colega), 90 pessoas num único kit. Pois, a Comissão já teria sido avisada antecipadamente que um senhor conseguira organizar mais de 100 pessoas para a zona do Barreiro, só que, para a infelicidade deste, o facto de serem pessoas do partido contrário ao dele, aconteceu o “inesperado”: eram 3 kites, só funcionou 1 – o meu – das 9h00 às 16h00, por ter havido avarias que nem sequer foram avarias, pois, assim que chegou o técnico (quase 7h00 depois) os kites funcionaram lindamente por mais 2 horas.

Não houve um único cartaz publicitário, nenhuma estratégia de marketing que incentivasse as pessoas ou que, pelo menos, os indicasse os locais de recenseamento. Este e muitos mais atestados de incompetência que nem vale a pena debruçar, caso contrário teríamos que, forçosamente, mudar de assunto.

Ora, se somos 1.290.000 Cabo-verdianos no mundo, onde a população adulta ronda os 60%, cerca de 770.000 pessoas podem votar. Subtraindo pelo número de inscrito e adicionando a abstenção, temos a quantia preocupante de 480.000 cidadãos que não votaram, ou seja, 60% dos Cabo-verdianos.

No implacável julgamento de alguns “cá está mais um infeliz com mania das contas, que pelo facto de ter feito umas continhas na universidade, já lhe dá o direito de meter onde não é chamado”. Pois, discordo e digo porquê:

1 – Estes dados estão disponíveis para todos consultarem no site do INE, sem excepção;

2 – Apesar dos dados serem valores aproximados e não 100% certos, não inviabilizam o facto de sermos 8 contra 1, ou seja, 8 ilhas contra Santiago.

3 – Se, a partir do ano 2000, contabilizarmos cerca de 9.000 residentes a mais por ano, (em médio é este o valor conseguido na relação natalidade/mortalidade, com vantagem para a natalidade), em Cabo Verde, até o ano 2010 teríamos um acréscimo de 90.000 (sem ter em conta as remessas de emigrantes, o que na pior das hipóteses daria um aumento de 5.000 residentes por ano, mesmo assim não seriam suficientes para estragar as nossas contas), em relação à 10 anos atrás.

Portanto, alguma diferença conseguida com os dados da migração, natalidade e mortalidade por ilha, seriam insignificantes no que toca ao aumento da população por Concelho, visto que, Ribeira Grande não cresce a nível de população (estagnou – acrescentamos apenas 37 pessoas nestes 10 anos – não esquecer a relação natalidade/Óbito), Tarrafal de São Nicolau diminui 395 residentes em 10 anos (ter sempre em conta que nascem mais pessoas do que morrem) Ribeira Brava de São Nicolau também perdeu 655 residentes, Brava também perdeu 795 residentes. O “insólito” é que Praia (nem digo Santiago para não ferir susceptibilidades) ganhou 34.211 residentes. De onde vieram esta gente toda?

Resposta: O pior cego é aquele que não quer ver.

Portanto caríssimos, se a política de hoje é caça ao voto, num “vale-tudo” para chegar ao poder (MPD e PAICV são provas disso), é lógico que tudo se concentre na ilha de Santiago.

O que não é lógico é o facto de continuarmos a insistir nos mesmos erros e continua a achar que tudo está bem, quando não está. Continuar a deixá-los tapar o sol com a peneira e não termos em conta que até mesmo a peneira tem buracos, logo o sol há de passar por algum lado. O mesmo acontece em Ribeira Grande. Reclamamos todos os dias do abandono,quando, tempos antes das eleições, aparecem “estrada alcatroada que ajudará na economia de todos, porém mal feita, com 2 túneis sem iluminação (não fazem ideia do perigo que isto constitui, mas saberão quando acontecer o pior), sinalização deficiente apesar de exagerada, bermas quase inexistentes tendo em conta que boa parte da estrada está em grandes altitudes, valas para drenagem que são autênticos convites a acidentes, já que não são precavidas de bermas…; “Pontes, há muito reclamadas e que constituem uma necessidade dos cidadãos”, “estrada da Ribeira da Torre que, por incompetência, a chuva levou”…não esquecendo as quantas estradas e barragem previstas para Santiago, quando apenas uma (1) barragem para Santo Antão, evitaria montes de reajustes (custos elevadíssimos) na reparação das péssimas estradas que um dia enganou os nossos honestos olhos, sem contar com os outros benefícios que todos nossos estamos fartos de repetir… enfim, nem me consigo lembrar de nada significante que me fizesse afirma que estamos bem servidos de governo. Se alguém me puder ajudar neste sentido, agradecia, porque estando eu longe do país, é-me complicado saber. Mas não se esqueçam, significante ok?

Como resolver isto, na minha humilde opinião:

1 – Voto nulo, pode significar protesto, caso não houver erros que forçam a sua nulidade.

2 – Votos em Branco, podem ser considerados formas de protesto, mas, com o nível de falcatruas nas eleições, é complicado confiar que alguém não aproveite do voto na contagem e faça lá uma cruzinha (ser humano é matreiro).

3 – Resta-nos a abstenção. Condenada por muitos, solução para outros. Aqui em Portugal, os nulos e branco, revertem-se em verbas ao partido eleito e à oposição, como incentivo para convencerem os indecisos nas próximas eleições (confirme aqui!). A abstenção, nem por isso. Não seria de esperar outras coisas destes senhores, se não o incentivo ao voto, mesmo que em branco, porque demagogicamente lá vão exercendo os seus “deveres cívicos”. Qual a diferença do branco e da abstenção, se nenhum deles contam para eleger ninguém e se mesmo aqueles que abstêm, todos os dias contribuem e pagam impostos no país? Uma vez que Cabo Verde copia tudo em Portugal, há-de ser o mesmo.

4 – Em países mais esclarecidos, a elevada abstenção é uma boa razão para se repetir as eleições, com a particularidade de serem obrigados a apresentar novos candidatos.

5 – Em países com grande nível de educação (sigo sempre bons exemplos, por ser humilde o suficiente para ter a plena noção que há muitos que sabem mais do que eu), não são necessários muitos gastos orçamentais em tempo de campanha, porque o povo é esclarecido o suficiente para saber escolher sem ser manipulado.

6 – Enquanto temos pessoas “ignorantes” (no bom sentido) dum lado, espertos ou armados em espertos do outro, a sujeira na política vai sempre triunfar e quem sabe, dentro de alguns anos, passaremos a estudar o SISTEMA nas escolas, como forma de sabermos driblá-la em vez de lutarmos para o irradiar. Se continuarmos com essa atitude conformista e comodista, a longo prazo teremos a resposta que procuramos e não a resposta que um dia sonhamos.

7 – Abrem os olhos, deixem de optar por cor política e sim por interesse local. Defendam as ideologias dos partidos que apoiam, mas antes lêem as suas propostas, estudem os seus representantes, as suas ideologias e só no final, votem naquilo que acreditam ser melhor para a vossa região. Na pior das hipóteses, terão o Branco, ou o nulo, ou a “maldita” abstenção.

8 – Repito, “o pior cego é aquele que não quer ver”, pois quem realmente ganha ou perde é CABO VERDE, consequentemente os seus concelhos, incluindo RIBEIRA GRANDE.

Délio Leite

Obs. Os dados das eleições estão por actualizar porque faltam ainda 174 mesas por apurar. Ou seja, a abstenção tende a aumentar, portanto, é insignificante aqui neste contexto.

Regulamento Campeonato Regional S.A. 2010/11

Associação Regional de Futebol zona norte santo antão

Associação Regional de Futebol zona norte Santo Antão

REGULAMENTO

1 – O Campeonato Regional tem por objectivo promover e expandir o futebol sénior, mobilizando os atletas, técnicos, dirigentes, clubes, e o público em geral para tão importante fenómeno desportivo. Também serve para a AFRNSA, encontrar o seu representante para o Campeonato Nacional. É uma prova oficial do calendário da AFRNSA e da FCF.

2- O Campeonato terá o seu início no dia 14 de Janeiro de 2011 e termina no dia 16 Abril do corrente ano, no sistema de todos contra todos a duas mãos e será disputado entre as equipas Federadas da Região Norte de Santo Antão (Beira Mar, Foguetões, Paulense, Rosariense, São Pedro Apóstolo, Sinagoga e Solpontense).

3 – Os jogos serão realizados no Estádio João Serra em Ponta do Sol, conforme o calendário aprovado pela Direcção e os representantes dos clubes.

4 – Os jogos serão disputados todas as Sextas feiras e Sábados.

5 – Nas Sextas, o jogo inicia as 16H00 e nos Sábados, o primeiro jogo terá início as 14H00 horas e o segundo as 16:00 horas.

6 – As equipas deverão apresentar no campo uma hora antes do jogo.

7 – O não cumprimento do ponto 6, ou abandono de alguma equipa sem que o árbitro apitar o fim do jogo serão penalizados conforme o regulamento disciplinar vigente.

8 – Cada equipa deverá efectuar três (3) substituições.

9 – A classificação será ordenada pelo total de pontos obtidos por cada equipa, adoptando-se a tabela de: Vitória = 3pontos, Empate = 1 ponto e Derrota = 0 ponto.

10 – Vencerá o campeonato a equipa que obtiver o maior número de pontos.

11 –  Em caso de igualdade pontual, os critérios de desempate serão os previstos no artigo 95° (critério de desempate de provas por ponto entre duas equipas) e no artigo 96° (critério de desempate de provas por ponto entre mais de duas equipas), todos do regulamento geral vigente, tendo em consideração o sistema a duas voltas.

11.1 – Se permanecer o empate entre duas ou mais equipas, utilizar-se-ão sucessivamente, os seguintes critérios de desempate:

a)    A equipa mais disciplinada ao longo da prova

b)    A mais baixa média de idade.

c)    O sorteio entre as equipas.

12 – Haverá taça e prémio só para o campeão e taça para a equipa fair-play. A avaliação individual dos intervenientes recai na classificação do final da época para escolha do jogador mais regular. A escolha será feita nas seguintes competições: Torneio de Abertura, Campeonato e Taça Regional.

12.1 – Troféus:

a)    Campeão;

b)    Fair-play;

c)    Melhor Jogador;

d)    Melhor Marcador;

e)    Melhor Guarda-redes;

f)     Jogador Revelação;

g)    Melhor Treinador;

h)    Melhores Árbitros.

13 – A atribuição do prémio melhor jogador é feita, após o fim de cada jogo por voto dos treinadores das equipas participantes. Cada treinador indicará 2 melhores jogadores da equipa adversária, por jogo. Também o delegado da Associação e o seu observador indicará um jogador de cada equipa, aos quais serão atribuídos uma classificação de 0 aos 10 pontos.

13.1 – As pontuações serão recolhidas por um elemento da comissão técnica logo após o término do jogo.

13.2 – Será atribuído o troféu ao jogador que obtiver maior pontuação. Em caso de igualdade de pontuação será atribuído o prémio ao jogador mais novo.

14 –  Melhor Marcador: Será atribuído ao jogador que conseguir o maior número de golos na baliza contrária. Se dois ou mais jogadores obtiverem o mesmo número de golos, será escolhido, de entre eles, o que tiver menos tempo de jogo. Caso se mantenha a igualdade, o prémio será entregue ao jogador mais novo.

15 – Guarda-Redes menos batido: Será atribuído ao guarda-redes que, sendo utilizado em maior tempo no conjunto dos jogos e sofra menos golos. Em caso de igualdade será atribuído ao jogador mais novo.

16 – Equipa mais disciplinada: A atribuição é feita, após a última jornada, pela pontuação dada pelos árbitros ao longo do Campeonato. Esta pontuação numa escala de 0 a 10, dada jogo a jogo, indicará não só sobre o comportamento dos atletas mas também de todos os restantes membros da comitiva presentes no “banco”. Independentemente dessa pontuação atribuída pelos árbitros, serão deduzidos ao somatório final, por cada cartão amarelo exibido, um (1) ponto e, por cada cartão vermelho, três (3) e seis (6) pontos, caso se trate de atleta ou dirigente, respectivamente. Em caso de igualdade pontual será atribuído o prémio à equipa melhor classificada.

17 – A escolha de melhor treinador será feita pelo Conselho Técnico da Associação, e os melhores Árbitros serão atribuídos uma pontuação semanal pelo Conselho Regional de Arbitragem, mediante as observações feitas no decorrer dos jogos.

18 – A organização técnica dos jogos é da responsabilidade da Associação de Futebol da Região Norte de Santo Antão, sendo delegado aos jogos 1 representante da organização designado pelo presidente.

19 –  Os casos omissos ou não previstos neste regulamento serão resolvidos pelo Conselho de Disciplina ou o Conselho Jurisdicional da Associação Regional de Futebol, de acordo com os Regulamentos Geral e Disciplinar vigentes.

Cidade da Ribeira Grande, 12 de Janeiro de 2011

Saudações Desportivas,

O Presidente da AFRNSA,

Pedro Alberto dos Santos da Luz