Monthly Archives: Fevereiro 2011

Ribeira Grande em 2025. Como será?

Ribeira Grande em 2025

Ribeira Grande em 2025

– Como imaginas o Concelho da Ribeira Grande em 2025 (daqui a 15 anos)?

– Qual o modelo de desenvolvimento que devemos seguir para alcançar o progresso do Concelho?

– Qual o modelo de desenvolvimento que não se deve seguir?

– Quais as prioridades a terem em linha de conta?

– Em 2025, Ribeira Grande será aquilo que tu esperas que seja?

Este exercício trará pistas importantes para modelos de gestão municipal, de definição de políticas públicas e não só.

Ribeira Grande agradece a sua colaboração!

Plurim (Sugestão de Paulino Dias)

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Sustentabilidade na Ilha de Santo Antão

Santo Antão sustentável

Santo Antão sustentável

A construção de edifícios que simultaneamente preenche todas as necessidades dos habitantes respeitando o ambiente e os recursos naturais do nosso planeta é denominada de construção sustentável. No entanto o conceito de sustentabilidade na construção engloba vários valores, como sendo os socioculturais, económicos e ambientais.

Na construção sustentável torna-se importante o conhecimento das tradições construtivas da região em que o edifício se insere, preservando os valores culturais, arquitectónicos e sociais desta região na escolha dos materiais e do sistema construtivo.

Em termos económicos, a opção pelo investimento de uma construção de qualidade durável e energeticamente eficiente, tem menores custos de utilização. A gestão da manutenção do edifício e dos sistemas integrados é importante para a redução dos custos de reabilitação ou renovação do edifício, para além de que aumenta o seu ciclo de vida.

Durante a construção do edifício a gestão dos resíduos produzidos, o seu tratamento e destino são de extrema importância já que a maior quantidade de resíduos é produzida pela própria construção.

Este conceito é novo no mercado da construção civil, mas temos que passar esta mensagem a todos, por estarmos preocupados com o desgaste do ambiente.

Santo Antão apresenta muitos materiais para a construção sustentável, uma vez que as habitações são feitas de blocos de cimento, pedra, etc. Assim podemos citar que a opção por materiais da região contribui para a diminuição da energia incorporada dos materiais (energia despendida na extracção, fabrico e transporte dos materiais) e promove a economia local ou regional. Seria gratificante usar mais materiais naturais (em vez de industrializados) ou reciclados, e possivelmente recicláveis no futuro.

Das nossas lindas paisagens montanhosas podemos usufruir da água, com um custo mais baixo sem necessidade de grandes processos de tratamento. O sistema de captação de água da chuva, utilizado para rega, descargas de autoclismos (poupar na fractura da água), sistema de energia solar (depósitos com tampa de vidro), aquecendo a água, uma vez que há épocas do ano em que a temperatura tem tendência a baixar (poupa na fractura da luz).

As condições de construções sustentáveis são fundamentais não só na poupança de  energia e no conforto, como também contribuir para um meio ambiente melhor.

Para concluir, ficamos algumas sugestões para um planeta cada vez mais verde:

– Não deitar óleo na pia, evitando a poluição das águas; separar o lixo; não queimar (lixo) pneus, evitando produção de gases tóxicos, que contaminam o meio ambiente; não deixar lixo nas praias, nem no chão, nem mesmo no mar; pois assim o ambiente não sofrerá consequências, evitamos doenças, maus cheiros, etc… Reciclar, reutilizar, recuperar tudo.

– Comer menos carne, especialmente de vaca. A área de cultivo de alimentos para os bovinos contribui para a desflorestação e aumento dos gases de efeito de estufa, já para não falar na água gasta para produzir toneladas de carne. Além disso, consumir demasiada carne é prejudicial a saúde.

–  Deixar os medicamentos fora de prazo no farmacêutico e entregar restos de medicamentos ainda com eventual utilização nas farmácias ou hospitais.

– Utilizar directamente o ecrã do seu computador, para evitar impressões desnecessárias e o gasto de papel em rascunhos.

– Utilizar tudo que possa ser recarregável.

– Não desperdiçar alimentos, mas sim aproveitá-los. Com um pouco de planeamento, informação e criatividade é fácil diminuir o desperdício e gastar menos dinheiro. Prefira “Slow-Food” e evite “Fast Food”. Ganha a sua saúde e o ambiente.

– Diminua o uso de químicos e detergentes, escolha produtos ecológicos

– Instalar detectores de presença que desligam as luzes quando uma sala está desocupada, se não as lembra de desligar.

– Preferir sempre que possível a luz natural ou usar lâmpadas fluorescente (ecológicas/economizadoras/durabilidade).

– Mais espaços verdes (jardins, hortas, plantar árvores).

– Reutilizar a água para regar o jardim, ou mesmo para lavar a casa e o seu automóvel. O esforço para poupar água é uma obrigação.

– Não deixe nada ligado á tomada, a não ser o frigorífico (evitar abrir a portar) ou outro de extrema necessidade.

– Evitar utilizar micro-ondas para descongelar, máquinas de secar de roupa, ar condicionados, banheiras hidromassagens, entre outros.

– Evitar fazer compras desnecessárias para poder preservar os recursos do planeta, diminuir os resíduos, a redução de emissões de gases efeitos de estufa devido ao transporte dos produtos e para vitalizar a económico local, optar por comercializar produtos tradicionais.

– Optar pelo uso de transportes públicos em vez do seu automóvel, sempre que possível.

– Usar a bicicleta como meio de transporte. Não só fará mais exercício, como ajudará na redução das emissões de dióxido de carbono (CO2).

– Partilhar o seu transporte com familiares, amigos ou vizinhos, se o automóvel tiver mesmo de ser o seu meio de deslocação em caso de eleição.

– Ter atenção à manutenção do seu veículo. Um motor mal cuidado pode consumir 50% a mais de combustível e produzir 50% mais CO2. Se a distância é pequena, vá a pé e deixe o carro na garagem. Queime calorias e não petróleo.

– Em minha casa, utilizo a banheira como descarga da máquina de lavar roupa e essa água é reutilizada para descargas de autoclismo, limpeza da casa, entre outros, pois a casa fica com um cheiro agradável do perfume do amaciador.

– Todos os imóveis são obrigados a possuírem um certificado energético. Um documento de reflecte de forma clara e inequívoca o grau de desempenho energético (consumo de energia…) e ambiental (qualidade do ar…) dum imóvel, onde o edifício ou fracção é classificado em termos de desempenho, que varia entre a classe G (mau desempenho) à classe A+ (excelente). Trata-se sem dúvida de mais um documento que temos que apresentar num processo extremamente burocrático. No entanto é o primeiro e único documento que reflecte claramente a qualidade do imóvel de forma quantificada e também o primeiro documento que faz uma ligação entre o meio, a saúde e o conforto.

Respeite o meio ambiente, seja sustentável. Alcançar um mundo sustentável depende de todos nós. O nosso bem haja por poder partilhar estas informações consigo… Um especial agradecimento a todos os leitores do blog «Plurim».

Dois irmãos, dois amigos, dois engenheiros civis,

Dúnia Neves Maurício Cruz e José Pedro Maurício Cruz


Análise da Sondagem – Segurança no Concelho da R.G.

 

 

 

Fazendo uma, não exaustiva, análise da sondagem “Segurança no Concelho da Ribeira Grande”, chegamos as seguintes conclusões:

1 – Positiva – Cerca de 35%, tem uma percepção positiva do nível de segurança em Ribeira Grande, dos quais 22% acha que a segurança “está como sempre esteve, pois o povo é sereno e respeitador”, 10% “não vê razões para se preocupar” e os restantes 3% acha que “o nível de policiamento é muito bom, por isso, estamos seguros”

 

 

 

 

 

 

– O Plurim acha que, a “serenidade do povo” é constantemente confundida com passividade, submissão, comodismo e conformismo, aspectos esses responsáveis pela condução de qualquer percurso ao abismo (caminho de difícil recuperação). Aquele que vê, sente, discorda, reclama apenas para si, teima em conviver com a desgraça, contribui fortemente para o insucesso do que quer que seja, neste caso concreto, para o péssimo nível se segurança no nosso concelho.

2 – Negativa – outros 52% das pessoas que responderam à sondagem, mostram-se preocupadas com a perda de segurança no conselho, pois, cerca de 32% atribui esta responsabilidade aos jovens (algo que terá certamente a ver com o nível do desemprego do concelho, a falta de ocupação, ao nível de escolaridade e pobreza dos pais e consequente educação destes perante os jovens), os restantes 20% atribuem a responsabilidade à Polícia de Ordem Pública, por considerarem o nível de policiamento precário e a consequente impunidade dos repetitivos infractores das actividades públicas (é fácil adivinhar quem vai ser responsável pelo próximo desacato aquando da próxima festa, actividade no polivalente, ou seja, onde estes sabem que serão o centro de todas as atenções).

 

 

 

 

 

 

 

 

Soubemos, de fonte segura, que um policial do nosso concelho pediu à um superior que perdoasse o infractor por ter feito este mesmo superior ir parar ao hospital para levar 7 pontos em cima no nariz, depois deste ter agredido o policial com a ponta das suas chaves. É caso para dizer: Estamos tramados, pois, já se percebeu que os nossos policiais têm medo de represálias (irónico isso, pois não…). Se forem accionados e o barulho for maior que o ouvido deles, ou não atendem a chamada, ou por e simplesmente passam no local do barulho, bom tempo depois, ou bem longe.Há jovens que afirmam: “eles já se vão embora, vais ver o que lhe vai acontecer”.

No verão de 2009, houve uma desacato que durou mais de 30 minutos, que começou na porta da discoteca S’rré Negra (50 metros da esquadra), continuou pela rua D. Luís, foi pela rua da igreja, continuou no terreiro e morreu em frente à “praça de sr. padre”. Mas, quando passava em frente a “plar d’igreja”, alguém ligou para à POP a dar conta do sucedido, só que, para o azar deste, a namorada de um dos responsáveis pelo desacato, deu conta da ligação e ameaçou o “quixument”: “Já bo tchmés, log a seguir eh bo vez“. Isto foi dito com uma naturalidade, dando a sensação que já sabem que aquilo não vai dar em nada. Minha gente, este desacato envolveu arma branca e arma de fogo (tendo esta sido utilizada apenas para ameaçar o adversário). Os policiais apareceram 10 minutos depois da chamada (da esquadra para o terreiro são apenas 3 minutos á pé), de carro, pararam no local alguns segundos e seguiram viajem rumo aos aposentos, onde possivelmente alguém os teria “importunado o espírito”.

3 – Outros 13% acham que não se dá a devida atenção a globalização e aos efeitos negativos que as áreas “mais favoráveis” terão sobre as “menos favoráveis”. A facilidade de troca constantes entre elas, acaba por originar tais incidências que, se não forem dadas a devida e momentânea atenção, só trará prejuízos aos habitantes do respectivo lugar.

 

 

Percebemos, no entanto que, segundo dados do estudo feito em 2007, sobre a o crime e a corrupção em Cabo Verde, muitas coisas falham no que diz respeito a não resposta positiva dos agentes de segurança, pois, não estão preparados para tal.

Incomodá-nos também saber que, se algum evento público for feito por parte de algum grupo dinamizador do concelho, eles mesmos é que pagam os serviços de policiamento, de forma a garantirem um bom nível de segurança nas suas actividades. Sem falar, no preço que cobram tendo em conta o nível de vida das pessoas e o preço que estas mesmas pagam para conseguir se entreter nesta tais actividades, ou seja, visto que o custo de vida é reduzido, o custo da diversão é consequentemente reduzido para se poder ter boa aderência de público, mas, boa parte deste receita, vai para à POP, porque exigem o número de policiais que acharem convenientes, sem falar que, dependerá sempre da disponibilidade individual de cada um deles porque quando se faz o policiamento dos eventos, são chamados aqueles que se encontrarem em folgas no horário respectivo do evento. Quem souber qual o enquadramento legal ou não deste procedimento policial, pedimos o favor de nos informar ou que poste aqui através de comentário, o link e a explicação relativa, de forma a esclarecer os nossos conterrâneos.

Outras questões preocupantes relativas as zonas rurais, da quais não temos informação concreta, gostaríamos de propor aos moradores destas áreas que partilhasse connosco algumas ocorrências e a forma como foram e são resolvidas tais questões de segurança nas suas localidades. Isto fará com que este assunto seja tema de conversa nos próximos tempo, fazendo com que as pessoas de direito tenham mais atenção a estas questões.

Acreditamos que a passividade, a submissão, o comodismo e o conformismo, são características que devemos eliminar do nosso meio, por contribuírem para a aumento da insegurança na Ribeira Grande.

Cordialmente,

 

Plurim

 

Obs. Aconselhamos vivamente que leia este “ESTUDO SOBRE O CRIME E CORRUPÇÃO EM CABO VERDE” e retire daí as suas próprias conclusões.


Falando em Barragens…(Canto de Cagarra – Garça)

Falando em barragens para o Concelho da Ribeira Grande, saiu no jornal ASEMANA a seguinte notícia:

” Representantes de 15 empresas de construção civil portuguesas e cabo-verdianas interessadas em participar no concurso lançado em Dezembro de 2010 pelo Governo para a construção da barragem de Canto de Cagarra (Garça) foram conhecer o local esta quarta-feira, 16. É mais um passo dado no sentido de concretizar esta infra-estrutura, cujas obras devem arrancar em Outubro”…

…”A construção das duas barragens previstas para Santo Antão, confirmadas em Outubro do ano passado pelo titular da pasta de agricultura, José Maria Veiga, fazem parte de um programa de mobilização de água para a agricultura da ilha, que incluiu ainda a execução de duas dezenas de furos nos três concelhos da ilha.

Só a barragem de Canto de Cagarra deve mobilizar água para irrigar uma extensão de 400 hectares de parcelas agrícolas”.

Para o PLURIM, fazendo ou não barragens, devemos ser nós (Ribeiragrandenses) os fiscais permanentes destas empreitadas, pois quem decide ou deixa de decidir questão como “menos x metros ali, pode nos render algum”, “o material tal, é mais barato ali, apesar de ser menos resistente que o projectado”… Enfim, questões que nós conseguimos perceber que não serão benéficas, ou que não durarão o quanto devia, ou que nitidamente foram desviadas das suas reais intenções, devemos, de alguma forma, fazer ouvir as nossas vozes.

Há várias formas de o fazer:

– Rádios, Jornais, boca-a-boca, frente-a-frente, blogues, sites, manifestações, abaixo-assinados e muita vontade e criatividade.

– Pois é minha gente, boa parte do que se tem feito no nosso Concelho até agora, está constantemente a receber obras de recuperação devido ao mal trabalho prestado anteriormente. Os empreiteiros apenas estão lá para receber os seus honorários. Quem usufruirá dela, seremos nós, portanto, nós é que temos que garantir que ela seja feita em condições, porque já percebemos que “de boas intenções o inferno está cheio”

– As reuniões permanentes entre os empreiteiros e os responsáveis locais/centrais, não deverão deixar de levar em conta estudos por parte de todos os que lá vão estar, de pesquisas sobre o assunto, tanto pelo simples cidadão comum, como pelo responsável da câmara, ou mesmo os deputados que defendem o interesse do nosso Concelho.

– Sejamos exigentes, pois, quem pagará o erro da minoria, será sempre a maioria (povo).

Cordealmente,

Plurim

Fonte: (ASEMANA)



Povoação e o Rap

Rap Povoação

Rap Povoação

 

O Rap nasceu em Povoação através da influência de músicas de rappers americanos, portugueses, franceses, entre outros. Muitos gostavam do ritmo, dos temas críticos e alguns começaram a fazer as suas próprias músicas por se identificarem com o estilo, mas, sempre com a conotação de ser apenas um passatempo. Apesar da música Rap ser muito apreciada em Povoação e culturalmente ser parte do quotidiano dos conterrâneos cidade, especialmente dos mais jovens, ela carece de credibilidade entre os seus próprios apreciadores, ficando na sombra de outros estilos musicais.

Segundo informações directas, os primeiros registos desta arte em Povoação foram feitos por Cartol, Nitcha, Beks, Fanky (rest in peace), Djuna e outros mais, mas o primeiro grupo influente de Rap que surgiu em Povoação foi os Kapahala (2004/2005), composto por Vatik, Janecas, Pey, Tio, Faby, Titita, Papy e Tenche. Esse grupo fez algo inédito em Povoação e em Santo Antão em geral, que foi pôr músicas Rap feitas “na town”* a “rodar” em rádios, tanto em Santo Antão como em São Vicente, com destaque para a música Saturação. Nesta altura, entre 2006 à 2007, surgiu outros grupos, impulsionados pelo sucesso regional e, em parte, nacional dos Kapahala. Como por exemplo McGol (que hoje se identifica como GolBeats), G-Rapperz (Nigga Jó, Djô, Vander, Valdo, Janda, Odá e Deny), Revolucionários (Inaldo, Mc Ni, Kri e Anuda), Chain, entre outros.

E assim se dava início a uma onda de lançamentos de músicas Rap, de forma quase consecutiva, com maior destaque para Sofrimento dum mnine (Mc Gol), Dento dum caixão (G-Rappers), Tude essim (Chain) e Caminhada de fé (Revolucionários) considerados autênticos hits naquela, até então, pequena vila que, paulatinamente, foram fazendo parte dos mp3’s dos seus habitantes, a prova do “fanatismo” daquele povo pelo Rap feito “na town” é o primeiro álbum dos G-Rapperz (Hora d’mudança), inteiramente financiado pelos próprios. O Rap estava em alta, ao ponto que me arrisco a dizer que naquela altura o era o estilo musical mais ouvido em Povoação. Apesar de todo o impacto positivo que o Rap estava a causar, os apoios para o desenvolvimento dessa arte eram e continuam a ser muito escassos.

Apesar de todos aqueles mcs, poucos “sobreviveram” às necessidades da vida e muitos viriam a abandonar o Rap, para se concentrarem nos estudos, no trabalho, na família, visto que, até hoje, o rap em Povoação e em Cabo verde não é fonte de rendimentos sustentáveis, por isso, perfeitamente compreensível aquele comportamento. Assim cairia numa fase menos empolgante, coincidência ou não, mas a verdade é que Povoação acompanhou o Rap nesta “caída”, talvez isto seja um exemplo do impacto causado pelo Rap nesta cidade.

Actualmente o Rap em Povoação parece estar a ganhar uma novo alento com o lançamento do primeiro álbum oficial do GolBeats (One Love), com o lançamento de uma demo tape por parte do “New school”* Indzayz12 e com o anúncio do segundo álbum dos G-Rapperz previsto para o verão de 2011. Hoje posso dizer que Santo Antão é a terceira força do Rap cabo-verdiano, atrás de Santiago e São Vicente, digo isso em termos de número de mcs, em termos de qualidade sou meio suspeito para falar pelas razões óbvias. A prova já foi dada uma vez e pode ser dada novamente. O Rap tem o poder de “ressuscitar” Povoação.

Amaral Fortes


*”Na town” – é uma expressão aculturada do Inglês para o Crioulo, muito usado no meio mais jovem, que, traduzindo para o Português, significa na zona.

*”New school” – Outra expressão aculturada do Inglês para o Crioulo, igualmente muito popular entre os mais jovens, que, traduzindo para o Português, significa Nova era, contextualizando, novo no Rap.



Estradas vs Barragens. Eis a questão! (sondagem)

Vote (no final deste post) naquele que, para si, corresponda a prioridade de investimento no nosso Concelho/Ilha, tendo em conta a importância destas infraestruturas no nosso desenvolvimento. Não deixe de comentar a sua opção e contribuir assim para o futuro do Concelho (“várias cabeças pensam melhor do que poucas cabeças“)

Deixamos, no entanto, uma pequena ajuda:

Importância das Estradas

– Deslocamento facilitado entre localidades; redução do tempo de percurso; racionalidade e eficiência das estruturas urbanas e rurais, melhorando as relações de troca e serviços que mantêm as respectivas vivências; poupança na manutenção dos veículos quando a estrada é substituída por outra em piores condições.

Importância das Barragens

– Produção de energias renováveis; armazenamento de grandes quantidades de água e consequente abastecimentos de grandes áreas rurais e urbanas; rega de extensas áreas agrícolas e consequente melhoria no abastecimento alimentar; controle de grandes chuvas e consequentes cheias,  protegendo até mesmo, estradas no enfiamento das passagens das águas destas cheias, evitando grandes despesas de manutenção rodoviária; fomentar a prática de desportos náuticos, actividades de recreio e lazer ou mesmo construção de unidades hoteleiras.

Estrada R. Grande Danficiada pelas Cheias

Estrada R. da Torre danificada pelas cheias


Barragem do Poilao, Santiago

Barragem do Poilao, Santiago

Quantidade de água que vai para o Mar_Ribeira Grande

Quantidade de água que vai para o Mar_R. Grande

 

Obrigado pela participação,

Plurim


Entrevista ao Presidente da Associação de Basquetebol de Santo Antão – Adelino Fortes

Adelino Rodrigues Fortes

O “plurim” entrevistou o recém-nomeado para o cargo de presidente da Associação Regional de Basquetebol de Santo Antão, Adelino Rodrigues Fortes, da qual deixamos aqui para os nossos leitores analisarem e comentarem.

Plurim – Quem é Adelino Rodrigues Fortes?

Adelino Rodrigues Fortes – Antes de mais, boa tarde, obrigado pela convite e os meus parabéns pelo blogue, por aquilo que pretende contribuir na evolução da nossa ilha.

Portanto, sou Recém-Licenciado em Design no Brasil, amante do basquetebol e pertencente a dita “geração de ouro” deste desporto nessa Ilha.

P – Como e quando foi eleito Presidente da Associação?

A.R.F. – Foi durante assembleia realizada no concelho do Paúl, no dia 18 de Dezembro, se não estou em erro, mas ainda não assumi o cargo porque aguardo a prestação das contas da anterior direcção.

P – Como se sente em relação ao cargo que agora ocupa?

A.R.F. – Um pouco pessimista.

P – Porquê?

A.R.F. – Em primeiro Lugar, não há um fundo de manejo, câmaras e federação não ajudam como deveriam. Exemplo disso foi um cheque passado pela federação Cabo-verdiana de Basquetebol, que até hoje não foi levantada, por estar sem fundo. A federação distribui subsídios para o transporte sem ter em conta a diferente realidade das ilha, pois, aqui em Santo Antão, deslocar-se entre o Porto Novo e a Ribeira Grande (36km de montanhas) são 7.000$00 de frete. A uma enorme discrepância entre ilhas, pois aqui não temos transportes públicos, não pagamos 40$00 de autocarro para nos deslocarmos, ou seja, 1000$00 em São Vicente dá, em média, 25 bilhetes. Aqui, 1/7 do frete, numa Hiace com 15 lugares.

P – Porque é que as equipas não correm atrás deste subsídio de transporte, por exemplo?

A.R.F. – Este já vem sendo feito, o problema está em arranjar quem os dê esse patrocínio. Infelizmente, parece que ninguém quer ajudar. Organizamos uma noite da Discoteca S’rré Negra, com o lucro conseguimos comprar 1 bola e 2 redes.

P – Não pensam em incentivar as pessoas e atletas a criarem uma escola de basquete na vila, como já foi feito no Porto Novo, por exemplo?

A.R.F – Teria que ser antes o incentivo da Direcção Geral do Desporto, porque lidar com crianças, sensíveis, frágeis, onde teríamos que ter preparadores físicos qualificados, para não corrermos o risco de provocar lesões graves nos filhos dos outros, teríamos também que ter em conta questões de ordem psicológica, entre outros problemas que a nossa auto-aprendizagem pudesse por em risco a saúde dos demais.

P – Os professores de Educação Física, não podia assumir esta parte?

A.R.F. – Poder podem, mas cada um é que sabe de si. Temos que ter também em conta que hoje, assumir qualquer coisa que seja, terá que ser remunerada, pois, nos dias de hoje e estando as coisas como estão, ninguém quer levar desaforo para casa, sem ser pago por isso. Dificilmente encontramos professores ou qualquer outro cidadão disposto a se sacrificar em condições como estas. Não há incentivos, não há materiais desportivos. Só para terem uma ideia, quando treinava a equipa do Rosariense, na Escola Secundária Suzete Delgado, antes do treino, púnhamos a procura de pedaços de Giz perto das janelas das salas de aula, para marcar no chão um cone, por exemplo.

P – Antigamente, pagava-se para pertencer a escola de futebol do professor Arlindo “Fodof”. Não seria uma hipótese?

A.R.F – Ao contrário do futebol, nós temos um défice de atletas, o que não acontece com o desporto rei. O nosso objectivo é “ganhar clientes”, digamos assim.

P – O que têm feito para “ganhar clientes”?

A.R.F – Eu e um amigo meu, Danilo Lima, também praticante da modalidade, temos um projecto em andamento, já com os pedidos de patrocínio feitos, de nome “Liprobasket” (Saiba mais clicando aqui)

P – Criar programas que incentivassem os pais a inscreverem os filhos nas vossas escolas e pagarem por isso, não seria um caminho. Como por exemplo, explicações, só quem tem boas notas pode treinar, incentivos escolares, amizades, ensinamento vários, que não apenas da modalidade…?

A.R.F – Como já tinha dito, isso não depende só de nós. Dependerá de voluntários disposto a sacrificar juntamente connosco, já que não há verbas para remunerar ninguém. Ainda por cima, da geração de 83/84, a dita “geração de ouro” do basquetebol em Santo Antão, o último a sair da ilha foi no ano de 2005. Todos foram estudar fora do país. Não ficou ninguém com esse tal espírito de sacrifício. Até 2009, aquando do regresso do primeiro a ilha, só se viu o basquetebol na Vila ir desaparecendo consideravelmente. A partir de 2009, começou-se a ver uma luz no fundo do túnel, pelo menos aqui na Ribeira Grande. Hoje, como o nosso regresso, queremos massificar o basquetebol na Ilha, de forma a não corrermos o risco de cair no mesmo erro no futuro e dar assim continuidade ao desenvolvimento desta modalidade.

P – Fala-nos um pouco desta geração 83/84!

Há quem possa falar melhor desta geração do que eu. Não quero correr o risco de não mencionar muitas coisas, porque quando apareceu o basquete a este nível, eu tinha apenas 13 anos. (Clique aqui se quer saber mais sobre esta Geração)

P – O que sentiste quando leste esta reportagem, no blogue do Porto Novo Basquetebol?

A.R.F. – Prefiro não comentar.

P – Porquê?

A.R.F. – Porque acho que deve-se respeitar o passado, de forma a unirmos todos os concelhos em prol desta modalidade, caso contrário, nada feito.

P – O que explica tanto sucesso e consequente abandono por partes das autoridades competentes?

A.R.F. – Além de não se ter dado continuidade a escola que se tinha criado, por não ter aparecido pessoas com o mesmo entusiasmo que nós, não somos do desporto rei.

P – E o prometido e já financiado pavilhão, há 10 anos atrás?

A.R.F. – A Chuva levou a primeira pedra (risos)

P – E aquele que foi feito em Ponta do Sol?

A.R.F. – Não foi um pavilhão e sim um recinto, mas a chuva levou as pedras todas (risos)

P – Qual o futuro do Basquetebol nesta ilha, tendo em conta todos os problemas aqui relatados?

A.R.F. – É bastante complicado. Eu tomei esta decisão de me candidatar a este cargo, a base da emoção e também porque não concordava com muita coisa que andava a ser feito pela anterior direcção.

A nossa juventude abusa do álcool. Há alturas em que se sente o hálito a álcool durante dos jogos. Antes jogavamos com vontade, hoje poucos fazem isso.

P – Mas antes haviam incentivos, como o Mike (treinador Americano), Jogos escolares, competições fora da Ilha. Isso não os pode estar a afectar? Quais as dificuldades do basquetebol vingar em Santo Antão?

A.R.F. – Os Professores não colaboram, não temos treinadores qualificados, câmaras e federação não colaboram… assim é difícil. Não há um espaço para praticarmos, tanto no Porto Novo, como aqui na Ribeira Grande. Dependemos da generosidade dos dirigentes da Escola Secundária Suzete Delgado, poucas pessoas interessadas em patrocinar, enfim, é um sacrifício enorme.

P – Para terminar, pedimos que enumere as metas a alcançar no seu mandato de 2 anos!

A.R.F. – 1 – O campeonato regional conta com apenas 3 equipas. Queremos 4. Não pensamos numa 5ª equipa, devido aos custos.

2 – Duas formações para árbitros, Duas formações para treinadores e workshops  vários a nível da ilha.

3 – Realização do “Liprobasket” a nível regional.

4 – Muito trabalho

P – Adelino, obrigado pela sua colaboração. Esperamos que o nosso povo seja mais solidário e vos ajude nesta caminhada, que já deu provas de ter asas para atingir grandes patamares a nível nacional. Um bem-haja e boa sorte no seu mandato.

Plurim, 29 de Janeiro de 11